domingo, 28 de agosto de 2011

Dr. António Sousa Brandão de Vasconcelos

Filho de António Teixeira Brandão de Vasconcelos, que nasceu na Casa da Felgueira, freguesia de Rossas, e foi contrair matrimónio à Casa de Alhavaite, na freguesia do Burgo - hoje nome da principal Praça de Arouca -, o Dr. António de Sousa Brandão de Vasconcelos, nascido na Casa de Alhavaite, em 1866, foi para Lisboa como Deputado às Constituintes de 1911, e daí para Colares, Sintra, onde casou e desenvolveu a sua actividade de médico. É hoje nome da principal Avenida de Colares.



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Senhora do Campo. Devoção e tradição com mais de três séculos!

Segundo a lenda, que tem passado de geração em geração, contada com mais emoção por estes dias, por pais a filhos e avós a netos, em tempos de que já não há memória, mas de que se conserva viva tradição, foram estas terras e, nomeadamente o pequeno vale de Rossas, fustigado por estações rigorosas e intempéries que provocaram a destruição das colheitas e o aparecimento de uma praga de juncos que repentinamente começou a comprometer as plantações. Se por um lado as estações rigorosas destruíam as colheitas; por outro, a praga de juncos disseminava-se cada vez mais, ameaçando culturas e sementeiras. O pão de cada dia começava a escassear e as debilidades provocadas pela fome começavam a ceifar a vida de pessoas e animais. Em face de tal flagelo, o povo subiu ao pequeno outeiro que se ergue no meio do vale e aí ajoelhou em piedosa prece, prometendo edificar e dedicar uma capela a Nossa Senhora, se as intempéries deixassem de assolar a freguesia. Pouco tempo volvido, amainaram as inclemências do tempo! As culturas começaram a recuperar o seu vigor e as árvores voltaram a dar bons frutos. Depressa se amenizaram as maleitas provocadas pela fome. Renovou-se a esperança das pessoas e a força dos animais. Com fé na intercessão divina, o povo de Rossas não foi insensível à repentina sequência dos acontecimentos e, tal como prometido, de imediato se pôs mão à obra, no sentido de construir uma Capela dedicada a Nossa Senhora do Campo, justamente no outeiro que se eleva entre os campos, como que para Lhe servir de altar.
Volveram-se os anos e, em 1705 estava já a pequena capelinha tão velhinha que apesar de ter sido construída a meia encosta do pequeno outeiro, para ficar mais protegida do rigor dos invernos, não resistiu ao daquele ano e se arruinou por completo. Pode ter-se arruinado a Capela, mas a devoção do povo era inabalável! De tal modo que em pouco tempo se reuniram as esmolas necessárias à sua reedificação, o que se fez em menos de um ano. Entretanto, tal como havia sido prometido, apesar das contrariedades, nunca a festa a Nossa Senhora do Campo, deixou de se realizar, «…no segundo Domingo de Agosto a hir assistir à festa da mesma Snra, e junto da sua Capp.a pôr cada hum dos lavradores hua com pam e vinho p.a, digo, e vinho, e algu conducto p.a os Pobres», como constatou o Visitador Ordinário da Ordem de Malta, em 1718.
No entanto, passado pouco mais de meio século, em 1766, deparou-se o Visitador do Bispado de Lamego com tais debilidades na estrutura da Capela que ordenou de imediato várias obras de restauro, não fosse suceder o mesmo que havia acontecido em 1705. Porém, aumentava o número de devotos que entendiam não se justificar mais despesas em novas obras de restauro. Preferível mesmo, seria edificar uma nova Capela! Contudo, os tempos eram de dificuldade e, apesar da devoção, vontade e esforço do povo, era escasso o orçamento para construir uma Capela à altura dos merecimentos de Nossa Senhora!
Eis senão quando, chega ao conhecimento do povo de Rossas que um filho da terra emigrado no Brasil, acabava de ser beneficiado com uma herança e tinha por encargo e intenção construir uma nova Capela em Rossas, que bem poderia vir a substituir a velhinha capelinha dedicada a Nossa Senhora do Campo.
De facto, assim era. O Padre José de Sousa Figueiredo, natural de Figueiredo, do Burgo, há alguns anos emigrado no Brasil, vendo aproximarem-se as últimas horas de sua vida, redigiu aí o seu testamento e nele fez constar que se morresse na América, seria seu herdeiro universal o seu sobrinho José Manuel Aires, do Trigal, de Rossas, emigrado e morador na Quitanda dos Pretos, no Rio de Janeiro, e se morresse em viagem para Portugal seria seu herdeiro, seu sobrinho e afilhado, o Padre Manuel Fernandes de Sousa, de Pousada, com a obrigação de mandar dizer “duzentas mil missas de tenção e de esmola de tostão, na freguesia donde nasceu”; e “tudo o que ficar dos ditos bens, se fará em terras do meu património uma Capela à Senhora do Amparo e Santa Ana”. Faleceu em Pintangui. Pelo que veio a ser seu herdeiro José Manuel Aires, do Trigal, que não esqueceu a edificação da Capela.
Em 1775 volta a falar-se da promessa que «o zeloso devoto e filho desta freguesia» fizera de levantar uma nova capela em substituição daquela. E, para evitar despesas com a antiga, o Visitador do Bispado de Lamego, correspondendo à vontade do povo, ordenou que mais despesas não se fizessem se, entretanto, se iniciasse a construção da nova Capela. Contudo, a demolição da antiga ermida viria a acontecer apenas por volta de 1788. Em 1792 já a nova e actual Capela se encontrava concluída de pedraria. Para “ad perpetuam rei memoriam”, gravou-se um letreiro em ortografia popular na verga da porta principal com os dizeres: ESTA OBRA MANDOU F MANUEL JOSÉ AYRES DO TRIGAL POR DEVOÇAM À SUA CUSTA. 1792. Segundo uma lenda de menos tradição, quem sabe de maior significado, nos primeiros tempos da mudança da velhinha para a nova Capela, a imagem de Nossa Senhora ausentava-se desta e aparecia a chorar no sítio daquela.


Em tempos mais remotos, a festa terá consistido numa caminhada até à capela no dia estipulado para o efeito, por via de uma romaria organizada, primeiro, pelos obreiros da capela; depois, pela confraria e, mais tarde, pela irmandade. Toda a organização tinha em vista a capela, a romagem, o romeiro e os actos de culto, que se concretizavam na missa, sermão, procissão e promessa. A imagem de Nossa Senhora era o centro das atenções e todos procuravam vê-la e tocá-la, o que se consubstanciava no momento psicológico mais importante para o romeiro, que não deixava de rezar diante da imagem e Lhe oferecer rigorosamente aquilo com que se comprometeu.
O momento mais solene da romaria, tal como ainda hoje acontece, era a procissão, em que o bom romeiro não deixava de se incorporar atrás do andor de Nossa Senhora, doutros sob várias invocações de Maria e dos Santos, que no ensejo se juntavam ao cortejo, dezenas de anjinhos e figurantes de quadros bíblicos. Todo o empenho dos agricultores se destinava a mostrar e dar graças, na solenidade da romaria, momento primordial de agradecimento a Nossa Senhora pelas boas dádivas dos campos. A dimensão e cores dos andores, que dias antes mulheres e crianças, em devota e alegre missão, se encarregavam de engalanar de flores, frondosos frutos e legumes, espelhava um vistoso sinal exterior da enorme gratidão interior. O que tudo composto se traduzia em autênticas obras de arte, com vários metros de altura, os mais pesados puxados por carros de bois, e os restantes por dezenas de homens e mulheres, em percurso que descia da capela ao cruzeiro da Barroca e, já na segunda metade do século passado se estendeu ao cruzamento com a estrada nova, interrompendo o seu curso a meio caminho, para se fazerem ouvir discursos de graças a Nossa Senhora, proferidos por crianças, e ainda hoje recordados pela intervenção magistral que neles teve também o filho da terra Dom Domingos de Pinho Brandão.

Recolhida a procissão, ontem como hoje, a romaria virava arraial e o adro tornava-se espaço de divertimento, de feira, de comes e bebes. Desde muito cedo, - era inevitável - o religioso arrastou o profano que, tendo picos de quase o absorver, como aconteceu na década de setenta do século passado, se manteve, no entanto, como o centro de todas as atenções, a bem dizer da verdadeira devoção e fé do povo de Rossas e dos romeiros de Nossa Senhora do Campo. Mas, o profano começou aqui por ter uma componente económico-social, que se concretizava na distribuição de bodos às crianças e aos mais necessitados. Seguidamente, concedeu-se espaço a uma vertente etnográfico-desportiva, com manifestações de artesanato e jogos populares, que mais tarde viriam a dar lugar à realização de provas desportivas. Só já em meados do século passado, a reboque da actuação dos ranchos folclóricos, se terá desenvolvido a vertente lúdico-recreativa, com foguetes, fogo de artifício, bombos, fanfarras, bandas, conjuntos musicais e divertimentos.
Mais propensa a actividades profanas, a comemoração do Santo António, que normalmente acontece no mês de Junho, como, de resto, também sucedia em Rossas até meados do século passado, poderia dar cobertura a esse objectivo, que se pretendia concretizar nas tardes e noites quentes de Agosto. A devoção e homonímia do seu dedicado e empenhado Tesoureiro de então, fez com que, no segundo Domingo de Agosto, se começasse a comemorar conjuntamente Nossa Senhora do Campo e Santo António. À propensão para maior religiosidade e espiritualidade associada a Nossa Senhora, juntou-se a maior propensão para o lúdico nos festejos a Santo António.

Com o passar dos tempos, ao religioso e espiritual foi-se juntando a variedade e brilhantismo da programação profana, que a todos acabou e acaba por congregar, numa festa que, mais do que uma romaria ou festa mista, religioso-profana, é uma festa do Povo de Rossas, igualmente estimada e querida pela devoção, como pela tradição. E, se tempos houveram em que se temeu que os ventos da secularização e dessacralização acabassem por submergir o religioso em face do profano, é hoje possível afirmar que o profano muito tem contribuído para a força e envolvência do religioso. Houveram tempos em que nem tudo foi pacífico, em que não foi possível a comunhão e tão pouco a compreensão, é preciso dizê-lo e não pode a história omitir essas estórias. Contudo, se até Nossa Senhora se conformou com a mudança, porque não haveriam os Homens de o fazer também?!
Infelizmente, os nossos dias são de abrandamento e algum retrocesso. Oxalá que as dificuldades dos tempos que vivemos não façam submergir as vertentes etnográfico-desportiva e lúdico-recreativa, em face de novas necessidades a impor a vertente económico-social de outrora! Isso, sim, era um mau sinal e uma mudança, que os Homens de hoje devem combater com todas as suas forças. Com a atenção e diligência necessárias a que não haja, nem tão pouco se consintam, situações de pobreza escondida e dificuldade envergonhada!


publicado no semanário "Discurso Directo"

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Lançamento da obra "VOLFRO!" em Arouca

No próximo dia 13, pelas 15h30, na sede da ADPA - Associação para a Defesa do Património Arouquense, sita na Ala Sul do Mosteiro, Largo de Santa Mafalda, terá lugar o lançamento da obra "VOLFRO! Esboço de Uma Teoria Geral do "Rush" Mineiro - o Caso de Arouca", da autoria do Mestre em Antropologia José Miguel Leal da Silva.
A Sessão incluirá ainda duas Palestras sobre "Exploração Mineira e as Doenças Neoplásicas", proferida pelo Professor Doutor Sobrinho Simões, e "Vivências com Doentes deste foro", proferida pelo Dr. Reinaldo de Noronha.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

terça-feira, 14 de junho de 2011

"VOLFRO! Esboço de uma Teoria Geral do "Rush" Mineiro. O Caso de Arouca"

Esta quinta-feira, dia 16 de Junho, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, tem lugar a apresentação pública do mais recente trabalho sobre o Volfrâmio e nomeadamente sobre a sua exploração no concelho de Arouca.

"VOLFRO! Esboço de uma Teoria Geral do "Rush" Mineiro. O Caso de Arouca", uma edição da ADPA - Associação para a Defesa do Património Arouquense, é o resultado final decorrente de uma tese de mestrado, com a epígrafe "A Corrida à Riqueza no "Rush" Mineiro - O Caso de Arouca na Segunda Guerra Mundial", da autoria do Eng.º José Miguel Leal da Silva.

Esta publicação, com cerca de 540 páginas, conta com os patrocínios da Direcção Geral de Energia e Geologia, do EDM Empresas de Desenvolvimento Mineiro, da Faculdade de Ciência Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, do IELT Instituto de Estudos de Literatura Tradicional, da Caixa de Crédito Agrícola e do Roteiro das Minas e Pontos de Interesse Mineiro e Geológico de Portugal.

Via Estruturante: não há razões para não acreditar que agora vai!

Depois do desfecho das eleições legislativas antecipadas do passado dia 05, das quais saiu vencedor o Partido Social Democrata que, de resto, à semelhança daquilo que aconteceu por todo o país, venceu de forma inquestionável no concelho de Arouca e no distrito de Aveiro, não há agora razões para não acreditar que a curto prazo chegarão as máquinas ao terreno para avançar com o rasgue da 2.ª Fase da ligação Arouca-Feira.
O ponto a que tínhamos chegado pouco antes da queda do Governo era o de que, apesar de todas as promessas feitas por secretários de estado e até pelo primeiro-ministro, que em 2009 se deslocou a Arouca prometer fazer justiça para com os arouquenses, não havia verba orçamental para cumprir com essas mesmas promessas. E de pouco ou nada valeram as empenhadas diligências do presidente da Câmara, que elegeu esta como a mãe de todas as obras. Nem teve grande sucesso a iniciativa levada a cabo por um grupo de cidadãos que lançaram mão de uma petição pública para fazer discutir esta legítima reivindicação na Assembleia da República. Contrariamente ao que se pensava, até o facto de termos em Arouca a mesma cor política que sustentava o Governo, de pouco ou nada serviu.
Ao mesmo passo, ao longo de todo o processo e mais insistentemente nos últimos meses, o PSD, através dos seus dirigentes locais regionais e nacionais, foram fazendo considerações relativamente a esta obra, - sem nunca a prometer é certo, até porque não se encontravam em condições de concretizar promessas -, referindo sempre a necessidade premente e urgente da concretização desta ligação, avançando mesmo com sugestões para o enquadramento e alternativas para o financiamento da mesma, apesar das dificuldades económicas que o país atravessa e da contenção financeira que vivemos, que, no entanto, nunca aceitaram como desculpa da Câmara e do Governo, optando antes por dizer sempre haver alternativas e que se tratava de meras opções políticas.
Chegados a este ponto, nenhuma desculpa existe agora para que a petição pública apoiada de forma empenhada e activa pelo PSD Arouca pouco antes da queda do anterior Governo não tenha sucesso. Tanto mais quando os interlocutores da mesma, são os deputados Amadeu Albergaria e Paulo Cavaleiro que, de resto, conhecem por demais o processo (recorde-se que este último deputado foi o relator de uma iniciativa idêntica anteriormente despoletada por um grupo de cidadãos arouquenses) e, tendo sido agora reeleitos, se encontram em condições de fazer vingar este propósito. Tanto mais quando se trata de «… uma indispensável iniciativa dado estarmos convictos que, com o envolvimento que já se desenha de todas as câmaras municipais das Terras de Santa Maria, de todas as forças políticas e de um grande apoio das pessoas à petição, será possível sensibilizar o governo para a emergência da construção desta estrada de proximidade, fulcral para o desenvolvimento do município, cumprindo-se assim um conjunto de promessas feitas pelos nossos governantes», como sustentou o PSD Arouca, aquando do lançamento desta iniciativa.
Pedro Passos Coelho, líder do PSD e futuro primeiro-ministro, quando se deslocou a Arouca por altura da última edição da Feira das Colheitas, disse «não será por causa do Orçamento de Estado e das restrições financeiras que o Governo não dará luz verde à Via Estruturante», acrescentando que, «independentemente de o Orçamento a ter inscrito ou não como verba prioritária, de todas as palavras e promessas de que este troço iria ser concluído, creio que isso é bastante para que o Governo o possa realizar, e tenho a certeza de que não será por causa do Orçamento de Estado que a obra não avançará», referindo ainda que «o PSD de Arouca tem colocado essa questão com alguma insistência, e ela tem sido levada em conta no Grupo Parlamentar», rematando esta posição com uma mensagem de esperança.
São apenas “… onze quilómetros que faltam para ligar Arouca ao litoral e que fazem toda a diferença para o desenvolvimento do concelho”, como referiu Paulo Portas, presidente do CDS, deputado municipal em Arouca e futuro parceiro de Governo, no debate com Francisco Louçã, no passado dia 19 de Maio. Pelo que não há razões para não acreditar que Paulo Portas, que prometeu lutar por esta obra enquanto deputado municipal e fez o que pôde enquanto deputado à Assembleia da República, não deixará de desenvolver agora as diligências necessárias e fazer a pressão possível para que esta obra avance de imediato.
Trata-se de «uma questão de dignidade (…) sem qualquer impacto nacional», como referiu, no passado dia 27 de Maio, Rui Rio, presidente da Junta Metropolitana do Porto, cuja Grande Área Metropolitana integra o concelho de Arouca. Ao que acresce, na opinião de Couto dos Santos, cabeça de lista do PSD pelo círculo de Aveiro, agora reeleito, considerar tratar-se de «uma das prioridades para o distrito», para a qual, de resto, e em sua opinião, «se podia aproveitar as verbas do QREN para se construir esta obra».
Como escreveu no apelo ao voto André Almeida, presidente do PSD Arouca e candidato a deputado nestas últimas eleições, e que subscrevo, «Não é necessário prometer nem vender ilusões. Os Arouquenses estão saturados de discursos, promessas e ilusões. Não são necessárias mais palavras. Não é de palavras que temos défice. Temos défice é de ser consequentes com as palavras.» Pelo que, não há razões para acreditar que estes dirigentes não serão consequentes com as suas palavras! Não há razões para não acreditar que agora vai!


publicado no semanário arouquense Jornal "Discurso Directo", de 10.VI.2011

quarta-feira, 8 de junho de 2011

FUTURO CENTRO ESCOLAR DE ROSSAS

Estão em curso, e a decorrer em bom ritmo, as obras do Centro Escolar de Rossas. Previsto na Carta Educativa do Município, aprovada em 30 de Outubro de 2006 pelo Ministério da Educação, este centro escolar representa um investimento na ordem dos 2,3 milhões de euros, comparticipado em 80% por fundos comunitários.
A obra prevê a requalificação e ampliação da actual Escola Básica de Rossas, de modo a dotar o edifício de oito salas de aula para o ensino básico e três salas de jardim-de-infância, bem como refeitório.




À primeira vista e apenas pelo que estas imagens permitem adivinhar, simpatizo com a solução. Fico contente por ter sido possível manter e enquadrar o edifício actual, com a traça que nos é familiar e querida. Tal como já havia sido possível com a "Escola Velha", hoje Centro Cultural de Rossas, o futuro Centro Escolar de Rossas, ao manter aquele edifício, ajuda a preservar a memória, a contar as estórias e a "ler" a história. No entanto, preocupa-me o estacionamento. O projecto parece não dar qualquer contributo para este problema. Caberá à Junta de Freguesia e à Câmara Municipal estudar e viabilizar uma solução para o estacionamento no lugar do Paço, que hoje alberga alguns serviços e se assume como o centro da parte baixa da Freguesia.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Apenas mais um episódio numa velha Questão!

Limites de freguesia entre Rossas e Urrô criam mal-entendidos

A coordenadora do Censos na freguesia de Rossas Maria José Pinho e a recenseadora Catarina Ferreira, viram-se metidas no meio de uma polémica que envolve a partilha territorial das freguesias de Rossas e Urrô, mais concretamente parte dos lugares de Póvoa Reguenga, Barraca e Quintela.
A primeira fase dos Censos terminou no dia 24 de Abril e aquelas duas técnicas recrutadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) não se vão esquecer tão cedo da recepção que tiveram, sobretudo nos lugares de Póvoa e Barraca. «As pessoas foram indelicadas na Póvoa, não deixaram inclusive colocar na caixa do correio os inquéritos e os envelopes RSF», relata Catarina Ferreira.
Maria José Pinho, que em 2001 já era recenseadora, lembra «há dez anos foi a mesma coisa naqueles lugares». «No lugar da Barraca as pessoas inicialmente quiseram responder aos inquéritos, mas depois houve alguém que disse que o presidente da Junta de Urrô não deixava que elas respondessem», afirmou. De sublinhar que o cargo de coordenador do Censos na freguesia vizinha de Urrô é exercido pelo próprio presidente da Junta, Dario Tavares.
«As pessoas daquelas povoações diziam que não eram de Rossas, mas sim de Urrô», resumiu Catarina
Ferreira. As técnicas mostram-se revoltadas e amarguradas com a situação vivida e salientam que no mapa estatístico distribuído pelo INE, parte daqueles lugares são atribuídos às recenseadoras afectas à freguesia de Rossas e por isso não compreendem a posição dos populares.
Segundo as suas contas, são cerca de duas dezenas de pessoas que não responderam aos inquéritos,
ficando agora o INE responsável por eventuais punições aos infractores.
Elementos da Assembleia de Freguesia de Rossas, reunida no dia 6 de Maio, decidiram deslocar-se àqueles locais e confirmar através dos marcos aí existentes os limites territoriais para tentar esclarecer de vez esta arreliadora questão que separa as freguesias vizinhas.
Visando solucionar este diferendo, a delegada regional do INE convocou mesmo uma reunião entre os dois
autarcas envolvidos, mas mais uma vez não foi possível chegar a acordo.
in Roda Viva

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Sobre uma eventual redução do n.º de freguesias

No início deste ano foi tornado público o acordo entre o PS e o PSD, com vista à redução de 53 para 24 do número das freguesias existentes no concelho de Lisboa. O acordo, que terá tido o aval de José Sócrates e Passos Coelho, dizem, servirá de “teste” aos dois partidos para um novo desenho administrativo do país. O PSD referiu mesmo que «se correr bem, pode estar aqui a dar-se o primeiro passo para uma reforma administrativa que pode ser mais importante do que a regionalização». Pelo que é muito natural que a revisão do mapa administrativo seja uma das propostas a incluir no programa eleitoral do PSD.
Já este dias ficámos a saber que, à semelhança daquilo que sucedeu na Grécia, onde se passou de mais de mil autarquias para cerca de 300, a implementação de igual fórmula em Portugal para reduzir a despesa do Estado, é um dos pontos que está a ser estudado pela troika composta pela União Europeia, Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional, como uma das medidas de contrapartida à ajuda internacional ao nosso país. Medida que, de resto, pode ir muito além da redução do número de freguesias que estava a ser estudada pelo Governo, tendo por base a experiência a implementar na cidade de Lisboa, e que poderá implicar mesmo o número de Câmaras.
Soubemos também que, pelo menos o PS vai voltar a incluir a revisão do mapa administrativo no seu programa eleitoral e que, neste sentido, não colocará muitos entraves a mexidas propostas pela ajuda internacional. De resto, nos últimos dias, o próprio Governo iniciou já o debate sobre a redução do número de freguesias, sustentando que «mais do que reduzir a despesa do Estado, o Governo quer dar mais eficácia ao poder local…», defendendo «um poder local mais robusto mas simultaneamente mais simples, com menos eleitos mas com mais atribuições e competências», sustentando que «não é possível que freguesias com menos de 500 eleitores tenham as mesmas atribuições e competências de outras que têm mais de 40 mil eleitores».
No concelho de Arouca a proporção do número de eleitores é muito inferior àquela, mas, ainda assim, não deixa de variar com uma margem considerável entre a freguesia com maior e a freguesia com menor número de eleitores. Mas outros factores devem ser tomados em conta e a discussão, sendo inevitável, mais tarde ou mais cedo, poderia ser iniciada desde já, sem pressão de quem quer que seja, pelas forças políticas locais e respectivos autarcas. Há freguesias que apesar das diferentes cores políticas que as governam actualmente, não o podemos ignorar, muito teriam a ganhar com este debate e com uma eventual união, reforçando a sua massa crítica, aumentando o seu poder reivindicativo e de influência, bem como uma maior e melhor rentabilização dos recursos e equipamentos, para os quais haverá a partir agora cada vez menos meios e fundos.
O concelho de Arouca, que tem a sua configuração actual desde 1917, sendo já antes resultado da anexação dos antigos concelhos do Burgo (1817), Alvarenga (1836) e parte do de Fêrmedo (1855), é hoje um dos três concelhos com mais freguesias (20), dentre os dezanove municípios do distrito de Aveiro. É o segundo concelho com mais área (328km2), logo a seguir ao concelho de Águeda, mas conta com menos de metade da população deste último município, sendo o quinto concelho menos populoso de Aveiro, com aproximadamente 23.500 habitantes. Já dentro de portas, Alvarenga é a freguesia mais extensa, com perto de 40km2, e Várzea a freguesia mais pequena, com menos de 2Km2. Arouca, Santa Eulália e Escariz, são as freguesias mais populosas, com mais de dois mil habitantes; enquanto Albergaria da Serra, Janarde e Covelo de Paivô, são as freguesias menos povoadas, com menos de 170 fregueses cada, a que se somam Cabreiros, Canelas, Espiunca, São Miguel do Mato e Várzea, com menos de mil habitantes.
A título de exemplo e por comparação, mais para interior, no vizinho concelho de São Pedro do Sul, relativamente maior que Arouca, mas, com menos uma freguesia, apenas sete têm mais de mil habitantes, sendo que duas delas têm mais de 40km2 e três não vão além dos 3Km2. Cinfães tem pouco menos população, menos área e 17 freguesias. Castro Daire tem a mesma área, menos habitantes e 22 freguesias. Dos nossos lados norte e sul, Castelo de Paiva e Vale de Cambra, têm apenas 9 freguesias cada, mas, aquele concelho apenas com uma terça parte e o segundo com metade da área de Arouca. Em ambos os casos, verifica-se uma mais equitativa repartição da população, sendo que apenas uma freguesia em cada um dos concelhos tem menos de mil habitantes.
Porém, se é certo que os números podem ser um critério a levar em conta numa eventual mexida na actual configuração administrativa do país e, também assim, do nosso concelho, muitos outros critérios poderão e terão de pesar na hora de se mexer com as actuais freguesias, que correspondem a outras tantas paróquias, com os hábitos, costumes e tradições que lhes são inerentes. Contudo, manifestamente desiguais nas condições e nos equipamentos; substancialmente diferentes na massa crítica, nos argumentos e nos índices, embora, eventualmente, compensadas pelo seu património natural e edificado.
Estes são apenas alguns dos dados que se podem lançar para a mesa e antecipar um debate que, mais tarde ou mais cedo, principalmente as forças políticas, autarquias e autarcas terão de fazer. A história dá-nos exemplos de processos fáceis, como a anexação do extinto concelho do Burgo ao de Arouca, solicitada pelos próprios moradores em 1817, e outros difíceis, como a integração da freguesia de Covelo de Paivô no nosso concelho, fortemente contestada pela própria população em 1917. No entanto, o tempo é já o de se ter apreendido a história, conhecer a realidade presente e ter a capacidade de antecipar o futuro. E numa altura em que a desculpa é a falta de Orçamento, para pensar e projectar o futuro não é necessário Orçamento! A menos que o que se deseja não seja a melhoria das condições de vida e oportunidades das populações em causa.

publicado no semanário "Discurso Directo", em 06.V.2011