domingo, 12 de março de 2006

Blogosfera e capital social

«O conceito de capital social desenvolveu-se e discutiu-se muito durante a última década, principalmente entre sociólogos, economistas e investigadores da ciência política. Entre as muitas definições que correm nos meios científicos, retenho a que o identifica com a capacidade de mobilização de recursos sociais (valores, informação, conhecimento, ajuda, solidariedade, identidades) que se acumulam a partir do funcionamento de redes de indivíduos ou de grupos.
A generalização do acesso à Internet, a utilização cada vez mais intensa do correio electrónico e o fenómeno mais recente dos blogues, são exemplos de como há mais informação a circular, maior interacção e mais conhecimento. O correio electrónico, os “chats” e a blogosfera são as plataformas mais utilizadas e no meio do turbilhão de fluxos que se estabeleceu à escala mundial não será difícil de identificar milhões de comunidades virtuais que se estruturam em torno de interesses comuns.
Para aqueles que ainda têm saudade das tertúlias à mesa do café, das reuniões de amigos ou dos comícios partidários, seria bom que pensassem que, não tendo desaparecido essas oportunidades, surgiram novos espaços de confronto de ideias, de troca de informação e conhecimento, de partilha de ideais e de causas, de construção de novas identidades.
Quer isto dizer que a blogosfera encerra um inestimável potencial de capital social que em muito poderá compensar a perda lenta mas segura das sociabilidades tradicionais que se desvanecem perante a atomização e isolamento da vida urbana.»
por David Justino (Professor)
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Contudo, ainda há quem diga que não há tempo para andar na net e que quem por cá anda não terá mais nada para fazer! Enfim, são ideias! Cá estarei para aferir da sua durabilidade.
Pessoalmente, já não dispenso, em média, duas a três horas diárias. Não é por isso que deixo de ter tempos para as inúmeras coisas que faço lá fora. É uma questão de substituir e abdicar dum punhado de banalidades. Já não perco tempo a ver T.V., à excepção de um ou outro programa na SIC Notícias. Levanto-me mais cedo e deito-me mais tarde. Saídas à noite? Muito pontualmente!
Não podemos ignorar e/ou desaproveitar as potencialidades que a internet nos proporciona. Ainda esta noite, das 00:30h, hora a que cheguei de 5 horitas de trabalho no Norteshopping, estive online até às 06:45h. Este tempo que há meia dúzia de anos passava em Discotecas ou Bares, deu para fazer inúmeras coisas. Por exemplo, convinei encontrar-me no messenger com dois colegas de Guimarães e, às 00:50h estavamos online a arquitectar um trabalho. Entretanto, bebemos uns copos (cada um em sua casa) e trocamos algumas impressões sobre blogs... Não se pode desaproveitar estas comodidades!
É claro que a muitos ainda assiste uma réstia de razão. Não têm a internet a fácil alcance! Felizmente, para mim, é uma realidade na Universidade, no trabalho, na casa de Gaia, na casa de Arouca, nas associações, na vila, em Rossas, no carro e até ao cimo de um lameiro ou à beira do rio, com o portátil.
Eu próprio estive até há bem pouco tempo arredado deste mundo. Mas, mais tarde ou mais cedo, era inevitável ter que lhe dar espaço na minha vida. Será assim e cada vez mais na vida de todos nós!
Bom! Depois disto, resta-me dedicar duas horitas à leitura - "Nótulas de História do Pensamento Jurídico", do Prof. A. Santos Justo, saudoso Professor do meu 1º ano de Universidade. Já lá vão 5 anitos! Às 19.00h é preciso estar a picar o cartão no Shopping do Tio Belmiro.
Ultrapassadas e muito as duas a três horitas d'hoje, cabe despedir-me, pelo menos, até Quarta-feira. Temos que nos auto-limitar!

Está concluído o viaduto da Pedra Má!

Com o seu lugar reservado na história como a empreitada mais trabalhosa e morosa que, provavelmente, algum dia teve lugar em Arouca, a seguir à edificação do Mosteiro, a 1ª fase da dita Via Estruturante, ficou ontem concluída com o asfaltamento do viaduto que passa sobre a "garganta" da Pedra Má.
Razão e mérito aos nossos antepassados que, longe de antever os difíceis trabalhos que naquela zona se iriam dar, tão acertadamente apelidaram o local de Pedra Má. Pese embora uma ou outra lenda, na história se terá perdido a razão para isso!
O facto é que assim se havia de revelar a "garganta rochosa" que até aos nossos dias apenas se tinha deixado bater por uma outra força da natureza: a água. É certo que por essa mesma "garganta" se rasgou, na primeira metade do século passado a E.N.224. Mas, se é verdade que passa na referida "garganta", o certo é que não foi rasgada na Pedra Má, mas sim na Pedra Boa. É verdade! Quem passa pela tal "garganta" - no sentido Rossas-Arouca - tem, do lado esquerdo, a Pedra Má; do lado direito, a Pedra Boa.
Quem não é de Rossas ou Várzea, exactamente as freguesias que ficam dum e outro lado da "garganta", não saberá que assim é. Mas, a tradição fundamenta-se nos escritos e, estes, remontam ao séc.XVII.
Pese embora, em 1630 e 1656, aquando das Demarcações dos Limites da Freguesia de Rossas, à altura Comenda da Ordem de Malta, se tenham levantado marcos dum e outro lado do rio, fazendo constar um e outro lado como Pedra Má - «...que se levantou no dito serro, chamado a comieira da pedra má, no alto do qual fica o dito marco, demarcando para outro marco, que fica da outra banda do Rio junto à Cruz da pedra má, que está na estrada real que vay para Arauqua, onde no principio do serro, que corre da dita Cruz para a ciuidade, que chamam muro, se pos outro marco com hua quina para o marco de que se trata atrás, que fica ao norte & outra quina ao sul, & o habito de Malta para o poente, & as costas para o nascente demarcando com várzea.» - o certo é que, esculpido numa rocha, à margem da tal estrada Real para Arouca (primitiva estrada que passava pelo cimo das fragas daquela que digo Pedra Boa), existe um nicho, onde é possivel descortinar: «AQUI SE CHAMA /A PEDRA BOA / 1663».
Quis o homem, teimoso homem, ousar rasgar uma estrada ou, mais precisamente, esventrar a Pedra Má... Conseguiu! Mas, ficou a saber que, naquele caso, a coisa diz com o nome!

sexta-feira, 10 de março de 2006

Há precisamente um ano...

…o meu colega e amigo André Almeida, ainda que apenas por dois dias, tomava posse como deputado na Assembleia da República.
Pese embora não tivesse conseguido ser eleito, ainda que apenas por cerca de 200 votos, o certo é que foi o arouquense que, desde o Dr. Arnaldo Lhamas, mais perto esteve de conseguir ser eleito para Deputado da Nação. Se assim sucedesse, tratar-se-ia do mais jovem deputado, dado que seria eleito com apenas 26 anos.
A razão de ter assumido aquelas funções apenas por dois dias, ficou a dever-se ao facto de Hermínio Loureiro, então Secretário de Estado do Governo anterior, não ter ainda cessado aquelas funções.
De notar ainda que André Almeida acabaria por beneficiar de uma posição no próprio dia das eleições, dada a morte de Manuel de Oliveira, candidato natural de Santa Maria da Feira, que figurava igulamente naquela lista, pelo Distrito de Aveiro. Aumentavam as possibilidades de vir a ser eleito directamente. Contudo, assim não veio a acontecer.
Dois dias depois de se ter sentado no hemiciclo, André Almeida regressou à sua vida normal, mas trazendo consigo a esperança de ainda poder ser eleito. Uma nova possibilidade viria a acontecer com as Eleições Autárquicas e com a eventualidade de nomes eleitos à sua frente virem a integrar uma ou outra autarquia local. A autarquia de Espinho era a que se afigurava com melhores condições para que, indirectamente, conseguisse o almejado objectivo. Mas, também não foi desta. O presidente da autarquia é reconduzido naquele cargo e o candidato do PPD/PSD permaneçe na Assembleia da República.
Dadas as actuais circunstâncias, dificilmente se colocará outra oportunidade para conseguir esse objectivo na presente legislatura.
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Quis a minha cada vez maior desmotivação em relação ao PPD/PSD, partido de que ambos fizemos parte durante mais de 10 anos, que seguisse um outro rumo – me filiasse na NovaDemocracia. De resto, nenhuma razão existiu posteriormente que me fizesse arrepender de tal atitude, muito pelo contrário. Se não tivesse saído naquela altura, saía hoje arrependido por não ter saído mais cedo. Estou cada vez mais convencido da total incapacidade daquele partido, assim como dos demais saídos de Abril, para se auto-regenerarem.
Contudo, as Eleições Legislativas haveriam de voltar a colocar-nos no mesmo “campo de batalha”. No entanto, e desta feita, em lados opostos. Ambos acabaríamos por integrar listas pelo Distrito de Aveiro à Assembleia da República. O André figurava em 8º lugar na lista do PPD/PSD; eu, figurava em 9º lugar na lista do PND – NovaDemocracia. Porém, o destino mais não nos havia de exigir que as felicitações pelos lugares nas respectivas listas e os desejos de boa sorte para as respectivas campanhas. Ou melhor, o destino ainda nos havia de reservar uma última surpresa: no final, ao fazer as contas aos votos, a NovaDemocracia conseguia 270 votos no concelho de Arouca. Apenas 200 chegariam para o André ser eleito.
Lembrar estes factos, é não esquecer que apesar de estarmos hoje em partidos diversos, continua a amizade, estima e consideração.
Mais significativa é amizade quando se reconhece para além de certas conjunturas ou militâncias!
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Arouquenses na Assembleia da República
A história de arouquenses na Assembleia da República resume-se a quatro nomes. O Prof. Doutor António Manuel Coelho da Rocha, natural de Covelas, S. Miguel do Mato, foi deputado na legislatura de 1836. De resto, um distinto deputado, com papel de relevo na elaboração do Código de Seabra, antecessor do actual Código Civil. Na opinião do Professor Manuel Augusto Domingues de Andrade: “O próprio Melo Freire só lhe levou vantagem apreciável por ter sido quem desbravou o terreno, depois tão fecundamente cultivado por Coelho da Rocha…”.
Em A 26 de Outubro de 1969, são eleitos Deputados à ainda dita Assembleia Nacional, os arouquenses Dr. Joaquim de Pinho Brandão, pelo círculo de Aveiro, e o Dr. Albano Vaz Pinto Alves, pelo círculo de Viseu.Já depois de Abril de 1974, haveríamos de ter um outro arouquense como Deputado da Nação. Dr. Arnaldo Ângelo de Brito Lhamas, pelas listas do PPD/PSD por Aveiro, é eleito nas eleições de 1976. Francisco de Sá Carneiro havia apadrinhado a candidatura deste ilustre arouquense numa deslocação que efectuou ao concelho em 20 de Março de 1976.No mais, as Eleições Legislativas de 76 foram aquelas onde mais arouquenses estiveram envolvidos. Nas diversas listas a concorrer à Assembleia da República, figuravam os nomes de: Dr. Arnaldo Ângelo de Brito Lhamas, pelo PPD; Prof. Alfredo Gonçalves de Azevedo, pelo PPM; António de Almeida Brandão (Saril), pelo MES; Adriano Peres Portas de Magalhães, pelo MRPP; Arq. Hermínio Beato de Oliveira, pelo PDC e Domingos Tavares, pela FEC (ML).

quinta-feira, 9 de março de 2006

18º Presidente da República Portuguesa

Aníbal António Cavaco Silva, nasceu em Boliqueime (concelho de Loulé, Algarve) a 15 de Julho de 1939. Foi Primeiro-Ministro de Portugal de 6 de Novembro de 1985 a 28 de Outubro de 1995, tendo sido o homem que mais tempo governou em Portugal, desde o 25 de Abril. A 22 de Janeiro de 2006 foi eleito Presidente da República, tendo tomado posse hoje, 9 de Março. É o 18º Presidente da República Portuguesa e o 4º eleito após o 25 de Abril de 1974.

quarta-feira, 8 de março de 2006

Dia Internacional da Mulher

Mulheres
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Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.
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Elas brigam por aquilo que acreditam.
Elas levantam-se para injustiça.
Elas não levam "não" como resposta quando
acreditam que existe melhor solução.
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Elas andam sem novos sapatos para
suas crianças poder tê-los.
Elas vão ao medico com uma amiga assustada.
Elas amam incondicionalmente.
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Elas choram quando suas crianças adoecem
e se alegram quando suas crianças ganham prêmios.
Elas ficam contentes quando ouvem sobre
um aniversario ou um novo casamento.
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Pablo Neruda

Arouquenses no outro lado do Atlântico

Arouca São Paulo Clube
Corria o ano de 1979, quando no dia 8 de Março nasceu a segunda associação da comunidade arouquense no Brasil.
A ideia de criação desta associação remonta ao ano anterior e foi gizada na casa do comendador José Soares Ferreira, fundador numero um e também primeiro presidente da colectividade. A ideia de criar a associação foi motivada pela recepção ao senhor Jerónimo, um conterrâneo arouquense que visitava o Brasil. De imediato, e determinados a conseguir tal objectivo, se constituiu uma comissão instaladora. Comissão instaladora esta, que procurou compreender representantes de todas as vinte freguesias do Concelho de Arouca. Era intento dos condutores do processo conseguir a efectiva representatividade e conseguir o fortalecimento das relações entre todos os naturais desta região de Portugal. A comissão instaladora era constituída por Armando Gomes Ferreira, Joaquim Correia dos Santos, Frederico Vasconcelos Maia, Manuel Almeida, Artur Andrade Pinto, o próprio José Soares Ferreira, entre outros. Sendo à data da fundação constituída por 24 elementos.
Sublinha-se ainda a inestimável ajuda à comissão de António José Branquinha e de Constantino Brandão (in memorian).
Na perspectiva da própria associação, esta foi o resultado do esforço de homens simples, que souberam fazer por Portugal e pela sua região de Arouca, sem medir sacrifícios, querendo dar vazão à vontade de engrandecer a terra onde nasceram e à Pátria que os recebeu.
Animou-os a ideia de um clube onde pudessem reunir os naturais de Arouca. Desde então, o Arouca São Paulo Clube foi crescendo, superando as próprias expectativas iniciais e granjeando notoriedade pelas suas actividades e capacidade de mobilização dos seus associados, que aderiam massivamente a todos os eventos da comunidade.
Em Setembro de 1979, e a coincidir com as festividades de Nossa Senhora da Mó, em Arouca, também conhecidas pela tradicional bacalhoada (que também constitui uma das mais notáveis actividades da associação, no Brasil), o Arouca São Paulo Clube conseguia a sua sede própria. Inicialmente constituída por uma área de 30.000 metros quadrados, hoje a área afecta a esta colectividade conta com mais 6.000 metros, onde entretanto se edificaram todas as instalações do Arouca e que lhe conferem a inquestionável condição de uma das mais fortalecidas associações portuguesas no Brasil e no mundo.
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Arouca Barra Clube
No próximo dia 10 de Junho assinala-se o 39.º Aniversário da mais antiga associação de arouquenses no Brasil – o Arouca Barra Clube.
Inicialmente denominada “Casa de Arouca”, com a transferência da Tijuca para a Barra da Tijuca, passou a denominar-se “Arouca Barra Clube”.
Helena dos Santos Ribeiro foi a fundadora e associada número um do Arouca Barra Clube. Para além do mais, e a assinalar a importância de tão ilustre arouquense residente em terras brasileiras, Dona Helena, em 1969, havia sido considerada a “Mãe Portuguesa do Ano” do Brasil, numa iniciativa do jornal “Mundo Português”, tendo como prémio uma viagem a Portugal, onde foi recebida naquela época pelo Presidente da República e pelo Presidente do Conselho. Em 1996, havia sido distinguida com a medalha de Mérito Municipal, Grau Ouro, pela Câmara Municipal de Arouca. Faleceu no dia 24 de Julho de 2005.
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Estas duas colectividades da comunidade arouquense no Brasil são dois bons exemplos de pessoas que se afirmaram sem renegar as suas origens, antes pelo contrário, procurando no melhor delas o motivo primeiro para se afirmarem em terras tão distantes.
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Para saber mais sobre estas associações, clicar no nome.

sexta-feira, 3 de março de 2006

ESTÓRIAS DA NOSSA HISTÓRIA - VI

A salvaguarda do recheio do Mosteiro de Arouca
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Como é sabido, as ordens religiosas foram extintas pelo Decreto de 28 de Maio de 1834. Contudo, ficou salvaguardada a possibilidade dos mosteiros femininos se manterem até ao falecimento da última freira professa. Assim sucedeu com o Mosteiro de Arouca. Pelo que a extinção, excepcionalmente, só se haveria de dar a 3 de Julho de 1886, data em que se deu o falecimento da Abadessa Donatária do mosteiro de Arouca, Dª. Maria José Gouveia Tovar de Meneses.
Chegado aquele derradeiro dia, o património do mosteiro de Arouca, assim como o de todos os outros, passaria a integrar os “bens nacionais”, excluindo destes os vasos sagrados e paramentos que serviam ao Culto Divino, que deveriam ser postos à disposição dos Ordinários respectivos para serem distribuídos pelas igrejas mais necessitadas da Diocese.
Contudo, a este intento do Estado e conscientes do valor do espólio do mosteiro, constituído por bens mobiliários, artísticos e de culto, haveria de se opor o povo de Arouca.
Foi então que, em 1887, volvido apenas um ano sobre o falecimento da última freira, quando as autoridades civis tentaram retirar do convento os objectos de culto, a população se ajuntou e “não deixou sair do seu extinto convento os riquíssimos paramentos que o governo ali mandava buscar”, para enviar para as igrejas da Índia portuguesa.
O levantamento popular não foi tão espontâneo como à primeira vista se possa imaginar. É um facto que desde o camponês mais humilde aos clérigos e letrados, todos se reuniram em defesa do património do seu mosteiro. Contudo, de forma inteligente e astuciosa, já há muito se havia tratado de acautelar este património e, contrariamente ao que sucedeu por quase todo o país, Arouca conseguisse preservar no seu mosteiro os bens que a ele pertenciam.
Quase sem se dar conta do verdadeiro intento que o gesto visava, Sua Alteza o Príncipe Real, D. Luís I, “o Popular” ou “o Bom”, declarou-se Juiz perpétuo da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda de Arouca, em 1886, correspondendo ao pedido dos irmãos fundadores. Com a mesma subtileza foi pedido às instâncias competentes o diploma que permitisse o uso do termo “REAL”.
Vejam-se as nada ingénuas consequências daqueles nada inocentes gestos: Invocam os mesmos, de forma implícita, a protecção régia para a recém criada instituição. O que indirectamente enfraqueceria a tiraria legitimidade a quem quer que fosse para levar qualquer coisa do Mosteiro de Arouca.
Segundo Afonso da Costa Veiga, encontra-se nos reservados da Biblioteca Pública Municipal do Porto um documento, datado de Maio de 1892, referindo que: “foi aceite por el-rei o cargo de Juiz perpétuo da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, erecta na egreja do extincto Mosteiro de Arouca”.
Ironia das ironias, seria o próprio rei D. Luís que, três anos após o convite que lhe fora endereçado, promulgaria, especificamente para o mosteiro de Arouca, a Lei de 26 de Junho de 1889, que vinha ao encontro das pretensões dos arouquenses.
Mais que à força dos homens ou temor às alfaias com que alegadamente se muniram, à proficiente salvaguarda que atempadamente se preparou se deve o facto de nada ter sido retirado do Mosteiro de Arouca.

Bibliografia
VEIGA, Afonso da Costa, "Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda", RIRSMA, Arouca 2005
VEIGA, Afonso da Costa, Site da Real Irmandade Rainha Santa Mafalda, em www.museu-de-arouca.pt.vu

quinta-feira, 2 de março de 2006

Muitos são os passeantes que diariamente percorrem o maciço da Serra de Freita

Arouca é um concelho de múltiplos encantos e muitos são os passeantes que diariamente percorrem o maciço da Serra da Freita. Aliás, este local, que demonstra grande riqueza da Natureza, contempla dois concelhos, os de Arouca e Vale de Cambra.
Na Serra de Freita, porventura, o local mais fotografado será o da Frecha da Mizarela, que encanta pela sua queda de água de cerca de 60 metros. Águas essas que irão, a partir daí, engrossar o caudal do rio Caima.
A Natureza foi pródiga para com a Serra da Freita e se as «pedras parideiras», raríssimas no Mundo, por aí foram germinando, encontrando-se sobretudo junto à aldeia de Castanheira (segundo os entendidos, levaram mais de 500 milhões de anos a transformar-se), também subsistem na Freita espécimes vegetais únicas, como as «Turfeiras», que recentemente foram objecto de protecção e têm nos movimentos ecologistas os seus maiores protectores.
Mas, que o homem desde há milhares de anos por aí andou e viveu é uma certeza que foi legadas pelos vestígios que aparecem no planalto da Freita.
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Mamoa de Monte Calvo
Na Portela da Anta existe uma mamoa construída por um anel de blocos assente sobre a sua couraça lítica, apresentando uma planta subcircular, com um diâmetro que ronda os 12 metros. Numa depressão desta mamoa, está contida uma estrutura subrectangular, inicialmente tida como uma sepultura, mais tarde interpretada como uma cabana do período Neolítico. Foi descoberta em 1959 e tem sido alvo de diversos estudos arqueológicos.
Esta denominada Mamoa de Monte Calvo, datada do final da Idade do Bronze, ou seja, mais ou menos dois mil anos antes de Cristo, trata-se de uma estrutura funerária tipo cista (muito destruída), coberta por um «túmulus petreo» ou «cairn». O espólio recolhido de reduzidas dimensões e de fabrico manual aponta, em termos de cronologia, para o Bronze Final. Foi alvo de escavações em 1991, segundo informa o IPA - Instituto Português de Arqueologia.
Este monumento merece pois uma visita cuidada à Serra da Freita. Contudo, e tal como já referido, não só os monumentos megalíticos fazem a riqueza deste local privilegiado do concelho de Arouca. São muitos os motivos naturais com que esta região do distrito de Aveiro foi bafejada pela Natureza, o que a torna bastante interessante em termos turísticos.
Texto tirado de "O Primeiro de Janeiro"
Foto achada no "Mala de Porão"

quarta-feira, 1 de março de 2006

Grupo Cultural e Recreativo de Rossas

O Grupo Cultural e Recreativo de Rossas também já está na blogosfera.
Serve este facto de argumento para escrever um pouco sobre esta associação que no próximo dia 11 de Junho cumpre 25 anos de existência.
Apesar de ser uma das muitas associações existentes na freguesia de Rossas, nos últimos anos, os "Recreativos de Rossas", têm feito um percurso interessante, com uma forte dinâmica e, cada vez mais, qualidade nas actividades que desenvolvem, principalmente na área do Teatro - o "embrião desta familia"- onde a um ritmo quase profissional têm apresentado novos trabalhos quase anualmente e desafiando-se a si próprios no crescendo de qualidade dos mesmos. Juntam-se àquelas características, com a nova Direcção, a determinação e ambição. O horizonte continua a dilatar-se e desejos antigos estão agora, também, na mira. Oxalá se concretizem!
De resto, assim tem sucedido ao longo destes 25 anos de existência, ao longo dos vários mandatos e com o largo naipe de dirigentes que assumiram o leme da associação até hoje. A cada um deles se pode apontar uma marca e metas alcançadas. Diversos estilos, personalidades, idades e feitios, mas sempre uma familia muito unida apesar da diversidade de pessoas que congrega. Acima de tudo, tem prevalecido a associação! Como se pretende, e para além de com a únião fazer a força e conseguir objectivos comuns, entre outras vantagens, o GCRR tem sido uma escola para a cidadania e para a democracia.
No GCRR, ninguém é tão pequeno que não possa ensinar, nem tão grande que não possa aprender! E este, sem que alguém o diga, é o lema de todos os dias!
Para saber mais sobre o GCRR, ir aqui e aqui!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

As Ordenanças e as Milícias em Portugal

Apesar de já ter adquirido este livro em Novembro, ainda se encontrava no prelo, vários "complementos e aditamentos" do seu autor fizeram com que só agora chegasse. É o exemplar n.º 179, rubricado pelo autor.
Sob pena de ser fastidioso nos meus considerandos sobre estas temáticas que me fervilham pelas veias, apenas referir que se trata de um trabalho (para já, o Volume I, com 1095 páginas), que, entre outros dados sobre o tema, elenca os nomes das personalidades que integraram as Companhias de Ordenanças e as Milícias em Portugal num período compreendido entre 1756 e 1833.
Das Ordenanças que, no concelho de Arouca, se dividem em Alvarenga, Arouca e Fermedo, contam-se cerca de 27 nomes, nas categorias de Capitães e Sargentos-Mores.
A integrar o Regimento de Milícias de Arouca, elencam-se 171 personalidades, nas categorias de Coronel, Tenente Coronel, Sargento, Capitão, Alferes, entre outras.
Um dias destes, escrevo um post sobre o Regimento de Milícias de Arouca. Trata-se de um facto importante da nossa história, sobre o qual, entre nós, apenas Simões Júnior escreveu três ou quatro parágrafos.
Mas, por ora, cabe acrescentar, actualizar e rectificar dados em "Rossas - Inventário Natural, Patrimonial e Sociológico" e acrescentar algumas datas em "A História de Arouca em Datas".

Mais informações sobre o assunto aqui!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

"Mito Rodoviário (Arouca e o Portugal profundo)"

Uma experiência que fotografa a realidade!

Quatro dias, cinco aviões, quatro carros e um punhado de peripécias!

Não, não se trata do nome de um novo filme! É verídico e iniciou-se faz amanhã um ano. Porto - Lisboa; Lisboa - Ponta Delgada; Ponta Delgada - Santa Maria; Santa Maria - Ponta Delgada; Ponta Delgada - Lisboa. Não será um feito praticado por muitos, e é o meu recorde pessoal! Em apenas quatro dias tive quase o privilégio da ubiquidade.
Esta é a dura realidade de quem vive nas ilhas ou de quem a elas se desloca, principalmente nas e às mais pequenas.
Ah! Em apenas quatro dias, para além de ter pisado quatro aeroportos (mais um recorde!), andei no maior e no mais pequeno aviões que já alguma vez tinha andado.
O pequeno (São Miguel - Santa Maria e vice-versa), tinha apenas dois bancos de cada lado; o maior (São Miguel - Lisboa), tinha três de cada lado e mais cinco no meio. Apesar do mau tempo aquando da primeira viagem no mais pequeno, que fazia um barulho desgraçado e solavancava sem parar, a viagem no maior começou por ser mais assustadora. Não havia um lugar vazio! Era gente demais e ao mesmo tempo no ar... Mas, depois de levantar... foi como se por magia nos tivessem feito desaparecer na ilha e aparecer no continente.
Quatro dias, quatro carros... É verdade, mais um recorde pessoal! Não houve outra solução. Alugou-se um em São Miguel, dois em Santa Maria, porque o primeiro partiu a panela de escape, e outro para vir de Lisboa ao Porto.
Quatro dias, cinco aviões, quatro carros e um punhado de peripécias!
Quanto a mais destas últimas, se me lembrar e por cá andar, fica para daqui a um ano!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Há precisamente 281 anos...

...deflagrava um incêndio de grandes proporções no Convento de Arouca. Ter-se-á tratado do maior dos incêndios que deflagraram no Convento e, dessa forma, o que mais contribuiu para que o edificio com que hoje nos deparamos seja, na sua grande parte, obra do século XVIII.
Por uma alegada intervenção divina, a Igreja do Mosteiro, tal como hoje a conheçemos, foi poupada das chamas. Passavam apenas 7 anos da mesma ter sido benzida, depois de um prolongado restauro que a levantou da ruína a que se reduziu em 1704.
Em 1781 era lançada a primeira pedra do Dormitório do Convento, lado voltado a Oeste ou ao Terreiro, conforme se pode ler na inscrição, gravada em cartela que semelha um papel a desenrolar-se, existente nos claustros. Em 1785 estavam concluídas as obras.
Escavações arqueológicas recentes, encetadas no lado sul, puseram a descoberto ruínas cobertas por cerca de 10cm de cinzas e detritos de telha, que se estendem para sul até ao pequeno ribeiro que atravessa dentro da Cerca, denunciando que para esse lado se estendia a primitiva edificação.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

ESTÓRIAS DA HISTÓRIA DE AROUCA - V

Bernardo, o fugitivo da Casa do Outeiro
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Corria o mês de Maio de 1873 quando, sem motivo algum, e sem se saber para onde, fugiu de casa de Augusto de Pina Abreu Freire, no lugar do Outeiro, freguesia de Rossas, um criado que tinha em sua casa 5 meses, e dava pelo nome de Bernardo, natural de Santa Maria do Monte, freguesia de Santa Eulália. Consigo, levou a roupa que trazia vestida e, ainda uma pequena quantia que em nome do seu amo havia pedido a um senhor do Arieiro.
Pouco importado com o facto, o Senhor Augusto, foi passar uns dias a Tondela, onde tinha uma casa e alguns amigos. Aí chegou alegre e tranquilo no dia 11 de Junho.
Contudo, pouco tempo depois o seu sossego haveria de ser atormentado com uma carta de uma sua parente de Avanca por um criado que ali foi de propósito e, que lhe dava conta que no transacto dia 5 de Julho, dia em que naquele ano de 1873 se celebrou a festividade do Senhor d’Agonia de Sequeiros, tinha ido à sua casa no Outeiro, o Doutor Juiz de Direito, o Doutor Delegado e o Escrivão, para fazerem escavações na sua adega, afim de verificar se o criado Bernardo se achava ali enterrado, conforme a queixa apresentada por sua mãe, de que o Senhor da Casa alegadamente o teria morto e aí enterrado.
Tão rapidamente se espalhou o boato que Augusto depressa se pôs a caminho de Rossas. Tanto mais que, já por aí se dizia que se havia retirado para fugir à acção da Justiça.
Mas, nenhum vestígio achado na adega, de imediato correram os boatos: por uns, de que o criado havia sido enterrado no quintal; por outros, num melancial ou trigal semeados pelo próprio criado; outros ainda, no Barroco de Carvoeiro para onde fora levado de noite. Outros, porém, de que havia sido queimado no forno da casa e levados os restos mortais para a Igreja da freguesia com a conivência do Reverendo Abade Quaresma.
Atormentado por tais infâmias, em triste e desconsolada posição, Augusto ia fazendo uma vida de tortura, pois apesar de se achar inocente não encontrava meio algum de o provar. Passasse por onde passasse, Augusto era apontado pelas pessoas e acusado pelo medonho assassinato.
A seu mando e por ele próprio, procurou-se o tal Bernardo por tudo quanto era parte e, do dito nenhum sinal. Abeirava-se o banco dos réus…
É nesta exacta conjectura que no dia 21 de Agosto desse mesmo ano ali chega o Reverendo Albino Teixeira de Vasconcelos para confortar e animar o pobre do homem.
Então, e por último recurso, Augusto levanta-se de uma pedra onde se encontrava sentado, debaixo da ramada, à entrada da Casa do Outeiro, e pede ao Reverendo Pe. Albino para que na próxima missa e nas suas orações rezasse por ele, pedisse com verdadeiro fervor ao Senhor da Agonia para que lhe acudisse pela sua infinita misericórdia, fazendo aparecer o referido Bernardo. Fazendo então o voto de por ele Augusto sozinho fazer a Festa toda à sua custa na forma do costume, num dos próximos anos, aplicando toda a esmola que tirar na compra duma umbela para servir na mesma capela como propriedade sua, e com a obrigação de ir, igualmente, servir na capela de S. João de Provizende desta mesma freguesia; e que o resto da esmola que poder obter será entregue ao mesmo Revdo. para obras da Capela.
Assim fez Augusto este voto, com a condição de dentro em dias aparecer o referido Bernardo, para sair do estado aflitivo em que se achava principiando a contar daquele dia 21 de Agosto.
Por acaso, tinham vindo à festividade de Nossa Senhora do Campo, que nesse ano se fez no dia 9 de Agosto, dois rapazes: José, natural de Rossas, e, Manuel, natural de Várzea, que andavam a servir no Porto. Sendo que, uma vez aí chegados, de imediato souberam da estória do bárbaro e cruel assassinato do tal Bernardo. Finda a festa, voltaram os dois rapazes para o Porto.
Andavam ambos no mesmo dia 21, em que Augusto, à visita do Revdo. Pe. Albino fez o voto ao Senhor da Agonia, a descarregar a carga dum navio, ocupação que então exerciam, e já fatigados com aquele serviço sentaram-se.
Encostados aos fardos descarregados, Manuel adormeceu, e José conservando-se acordado, por acaso olhou e ainda ao longe viu um rapaz guiando uma junta de bois que lhe pareceu o tal Bernardo, mas porque duvidava da sua existência, atendendo ao que lhe haviam dito em Rossas, acordou logo o Manuel para verificarem ambos, se na realidade se tratava do tal Bernardo. E, qual não foi a surpresa quando, aproximando-se dele, constataram que efectivamente se tratava do homem que por Rossas andava a causar grandes angústias. Ficaram então com a certeza de se tratar do tal criado, pese embora usasse ali o nome de Bernardino como lhe ia chamando o filho do amo que o acompanhava, e então pediram-lhe que viesse à sua terra visitar sua mãe que estava doente, aproveitando a vinda ao arraial de S. Bartolomeu, para o que esperavam por ele até ao anoitecer do dia 22 na Ribeira, para virem todos três de patuscada, com o fim particular de o apresentarem de surpresa em Rossas, na casa do Senhor Augusto.
Porém, não aparecendo ele no dia e hora marcada, vieram os ditos rapazes sozinhos. E, chegando a Rossas, de imediato foram a casa do Senhor Augusto dar parte da alegre nova de que o tal Bernardo era aparecido e que sabiam aonde ele estava a servir.
Surpreendido Augusto por uma tão alegre como consoladora nova, bem dizia a hora em que fez o voto ao Senhor d’Agonia, vendo realizado o milagre, de que ele como pecador se não julgava credor pois que julgava perdidas as suas esperanças de poder mostrar a sua inocência…
No dia 24, de madrugada partiu acompanhado dos rapazes para o Porto, mandando-os no caminho Americano para Ramalde de Baixo, aonde o dito Bernardo andava a servir e o trouxessem até à Estação do mesmo caminho, onde Augusto os esperava. Para Augusto, cada hora corria parecia um ano.
Chegaram, enfim, os ditos rapazes trazendo consigo o referido Bernardo e apresentando-se a seu amo, e sabendo só então o que a seu respeito se passava, e os muitos e inumeráveis desgostos que pela sua inesperada fugida o amo havia sofrido, ajoelhando pediu-lhe o devido perdão, que seu amo de bom grado lhe concedeu não só de suas faltas como do que lhe devia, e trazendo-o na sua companhia, e dos dois rapazes, foi apresenta-lo às Justiças da vila d’Arouca, aonde foi mandado apresentar a sua mãe. Feito o devido reconhecimento (pois que ainda havia alguém, que naquele acto quisera dizer que aquele rapaz não era o dito Bernardo! Em verdade é até aonde pode chegar a maledicência!!!) e procedendo-se às demais formalidades, foi trancado aquele processo que por injustas informações, falsas queixas e testemunhas difamatórias sem remorso, nem consciência tinham injustamente contra ele instaurado.

O referido Senhor Augusto, era tio do Prémio Nobel da Medicina, Doutor Egas Moniz.

Ligeiramente adaptado de uma Versão publicada no Jornal “Cruz de Malta”. Esta estória encontra-se ainda narrada, numa versão menos milagrosa, no livro “A Nossa Casa” de Egas Moniz; e mais desenvolvida em “Rossas – Inventário Natural, Patrimonial e Sociológico, de A.J. Brandão de Pinho (não publicado).
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Próxima - "A salvaguarda do recheio do Convento"

Arouca.biz

Depois de todas as funções já disponibilizadas em tão curto espaço de tempo, o Arouca.biz tem, agora, também, um sítio na blogosfera.
Parabéns aos empreendedores de tão proveitoso edifício.

D'Arc

Depois de algumas presenças pessoais de alguns dos seus elementos, os D'Arc "conquistadores do momento", também já actuam na blogosfera.
Aproveito para os felicitar pelos prémios que têm vindo a conquistar. De resto, uma consequência natural da sua qualidade pessoal e conjunta.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

II Fim de Semana Académico de Arouca

Regresso da Esplanada do Parque

Segundo noticiou o jornal "Roda Viva" e se pode constatar na deliberação tomada pela Câmara Municipal em 17 de Janeiro último, a saudosa Esplanada do Parque poderá vir a ser uma realidade ainda este ano.
Será, tal como a daqueles idos tempos, implantada junto ao "Pombal", depois do IPPAR ter dado luz verde ao projecto. A infra-estrutura custará 30.263,29€.
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Para já, o passo dado é importante. Já há muito que a "vila reivindica" o regresso deste espaço, nomeadamente nas noites de Verão.
Contudo, só com a adjudicação à exploração se saberá se esse novo espaço consegue aquele desiderato e, principalmente, recupera o espírito da antiga esplanada explorada pelo "Noites Brancas".
Oxalá que sim!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

A fotografia mais cara do mundo

A fotografia The Pond-Moonlight, tirada em 1904 em Long Island por um dos grandes nomes da fotografia americana do início do século XX, Edward Steichen, foi vendida, cem anos depois, por quase 2,5 milhões de euros. Constitui o novo recorde alcançado em leilões, para este tipo de trabalho.

Mula da Rainha Santa povoa o imaginário popular

O Mosteiro de Arouca tem uma importância muito grande para o concelho, já que a ele está ligado um passado rico em história. A mula da Rainha Santa é uma das lendas que povoa as imaginações populares.
Segundo a lenda, a Rainha Santa a que se refere esta lenda é D. Mafalda, a filha preferida de D. Sancho I e a irmã favorita de D. Afonso II. A jovem princesa era bela, perfeita e, como poucas, senhora de uma esmerada educação. Naquele tempo, subiu ao trono de Castela D. Henrique, uma criança de doze anos apenas, facilmente manobrada pelo seu tutor, que queria governar através do jovem rei. Querendo-lhe dar como esposa uma mulher que o dominasse quando fosse adulto, escolheu D. Mafalda e o casamento celebrou-se.
D. Berengária, a mãe de D. Henrique, invocou ao Papa a consanguinidade dos jovens e o divórcio teve lugar antes da súbita morte do rei aos 14 anos. D. Mafalda regressou a Portugal virgem e assim se manteve até ao fim da sua vida, passando desde então a ser tratada por «rainha». Viveu os últimos anos da sua vida no Mosteiro de Arouca.
Morreu aos 90 anos durante uma cobrança de foros e rendas em Rio Tinto, cujos habitantes queriam que D. Mafalda fosse sepultada nessa mesma terra. Mas em Arouca discordavam, porque era no Mosteiro que ela vivia e na sua igreja deveria repousar o seu corpo para sempre.
Estava a discórdia instalada quando alguém se lembrou de dizer que se pusesse o caixão em cima da mula em que a Infanta costuma viajar e para onde o animal se dirigisse seria o local onde seria sepultada. A mula não teve dúvidas e, quando chegou à igreja do Mosteiro de Arouca, acercou-se do altar de S. Pedro e aí morreu.
O sepulcro de D. Mafalda foi duas vezes aberto no século XVII e tanto o seu corpo como as suas vestes estavam incorruptos. Em 1793, Pio VI confirmou o culto com o título de beata.
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Esta é uma das muitas teses que se vão procurando sustentar relativamente às circunstâncias e local do padecimento de D. Mafalda, assim como do alegado transporte do seu corpo até junto do altar de S. Pedro no Convento de Arouca. De resto, nela se alimenta a lenda.
Contudo, e desde logo, saltam à vista pequenos detalhes de frágil sustentabilidade. Mas, não sendo este o momento nem o lugar para disso dar conta, refiro-me apenas àqueles alegados 90 anos com que terá morrido. De resto, ainda recentemente, responsáveis da Real Irmandade Rainha Santa Mafalda, alinharam por esta mesma tese. Neste momento, não quero sustentar que assim não é. Contudo, sou da opinião que quem sustenta esta tese, não o deverá fazer em contradição. Ou seja, entre as mais alegadas (e até sustentadas) datas de nascimento (1195) e falecimento (1256) de D. Mafalda, apenas medeiam 61 anos.
Mas, sobre a data destes factos, assim como do local e circunstâncias da morte de D. Mafalda, voltarei a falar em Maio, altura em que, alegadamente, se cumprem 750 anos sobre a sua morte.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

"Não vou estar aqui, mas vou andar por aí"

...foi assim que o outro disse!
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Mas, na verdade, um bocadito mais que fazer lá fora impede-me de continuar tão activo cá dentro. Por isso, nos próximos tempos, aparecerei com menos frequência.

Conhecer Arouca

Através de um questionário interactivo, organizado em dois níveis de dificuldade, da autoria do Prof. José Cerca. (Aqui!)

domingo, 12 de fevereiro de 2006

As freiras vindas da Casa da Trofa

À passagem do 390º Aniversário do falecimento de Duarte Lemos (f.11.II.1616), 5º senhor da Trofa, não queria deixar de partilhar a nossa proximidade com destino de oito das descendentes do Senhorio da Trofa. Mas, antes de disso, duas ou três notas relativas à Casa da Trofa.

A Trofa é hoje uma freguesia do concelho de Águeda, no distrito de Aveiro. Fora já uma vila antiquíssima, com povoados a remontar ao tempo das invasões romanas. Contudo, esse estatuto haveria de se perder para uma vila vizinha, até que Dom Afonso V lhe devolveu a secular categoria de vila e imediatamente a deu em senhorio. Dom Manuel deu-lhe foral novo a 20 de Março de 1517. Este senhorio incluía ainda a terra de Álvaro no termo de Oleiros, a vila de Pampilhosa da Serra, a terra de Jales e a vila de Alfarela.

«Um alvará de D. Afonso V de 26.11.1456 manda que Câmara de Álvaro reconheça Gomes Martins de Lemos, como senhor da terra de Álvaro. E, por carta passada em Coimbra a 16.8.1472, Gomes Martins de Lemos é confirmado como senhor de juro e herdade da terra de Álvaro, com suas jurisdições.»

Pese embora, muito mais houvesse a referir, para o que aqui nos interessa resta dizer que a Casa da Trofa inicia-se no século XV, por mercê de Dom Afonso V de 1449, e diz a tradição genealógica que descende por varonia dos medievais senhores de Lemos, na Galiza.

«Sofreu um violento incêndio em meados do século XIX - já os senhores da Trofa viviam ora no seu palácio da Graça, em Lisboa, ora na sua casa no Porto -, que a destruiu quase por completo, ficando uma ruína que, com o passar dos anos, desapareceu totalmente. Sabe-se, no entanto, que se situava em ângulo recto à direita da igreja, que felizmente se salvou do incêndio.»

«A igreja da Trofa, tal como hoje se apresenta, deve assim ter sido construída nesta época, aproveitando para capela-mor a velha capela ou pequena igreja dos senhores da Trofa, que no mínimo era anterior a 1449 e onde Duarte de Lemos tinha, em 1534, mandado erguer o panteão da família, precioso documento da arte tumular portuguesa, classificado como monumento nacional. Uma análise cuidada à forma como este panteão se integra na capela-mor, revela claramente a adaptação feita em 1534. De resto, na estrutura anterior deveriam existir os túmulos dos 1º e 2º senhores da Trofa e respectivas mulheres, que Duarte de Lemos então trasladou para as novas sepulturas que mandou fazer. Deste conjunto ressalta o túmulo do próprio Duarte de Lemos, 3º senhor da Trofa, representado em estátua orante de tamanho natural, atribuída a Nicolau Chanterene ou a Udarte, que Virgílio Correia considera «uma das obras mais belas e viris da nossa galeria de retratos plásticos».»

Foram 10 os Senhores da Casa da Trofa, notável a sua ascendência e vasta a sua descendência. E é aqui, na sua descendência, que se encontra o facto que quero partilhar.

O 1º Senhor da Trofa teve sete filhos, dos quais, quatro, eram raparigas. Contudo, quase todas e à excepção de D. Mécia de Lemos, dama da rainha Dona Joana de Castela, que foi violada pelo cardeal de Castela D. Pedro Gonçalves de Mendoça, conseguiram bons casamentos.

O 2º Senhor da Trofa teve sete filhos, dos quais apenas uma rapariga, D. Filipa de Lemos, que casou com Luís Mascarenhas, comendador de Garvão na Ordem de Santiago.

O 3º Senhor da Trofa teve pelos menos, seis filhos, dos quais duas raparigas: D. Grimaneza de Mello, abadessa de Arouca e D. Filipa e outras, freiras em Stª Clara de Coimbra.

O 4º Senhor da Trofa teve seis filhos, dos quais apenas uma rapariga, que também conseguiu um bom casamento: D. Joana de Távora, que casou com D. Pedro de Lima, morgado de Niza, no termo de Grândola.

O 5º Senhor da Trofa teve doze filhos, dos quais sete foram raparigas: D. Maria de Távora, que faleceu solteira, D. Madalena, D. Mafalda e D. Catarina da Silva, D. Bernarda de Távora, D. Paula de Azevedo, D. Luiza de Mello, todas estas freiras no Convento de Arouca.

O 6º Senhor da Trofa teve cinco filhos, dos quais três raparigas: duas lá se conseguiram encaminhar, mas a terceira, D. Luiza de Távora, acabaria abadessa no Convento de Arouca. A segunda mulher de Diogo Gomes Lemos (6º Senhor da Trofa) era filha de Catarina Borges de Castro, que por sua vez, era filha de André Vieira, fidalgo morador em Castro Daire (Viseu), e de sua 1ª mulher Isabel Borges de Castro, filha esta de Pedro da Costa e de sua mulher Constância Borges de Castro. André Vieira era filho de Braz Vieira, fidalgo da Casa Real que esteve em Arzila, dos Vieiras do Porto, e de sua mulher Catarina de Almeida, natural de Vila Nova (Arouca) e falecida a 21.7.1575 em Castro Daire, meia-irmã de Álvaro Monteiro, fidalgo da Casa Real e de Cota de Armas (1543), cidadão e tabelião do Porto (1571), escrivão da Câmara (1576), etc., senhor da casa da Quintela, em Vila Nova (Arouca).

E daqui não precisamos passar para concluir, de resto, na esteira daquilo que a Doutora Maria Helena Cruz Coelho vem ensinando, e um seu discípulo já fez dar à estampa um trabalho sob o nome “Quando a Nobreza Traja de Branco”, de que, efectivamente, a Nobreza trajava de branco. Logo à nascença, já as meninas tinham o seu destino traçado. Dele, apenas as livrava os bons casamentos.

Este, é apenas um exemplo. De muitos outros lados e famílias terão vindo as meninas que no Convento de Arouca albergaram o hábito branco e preto. Contudo, não deixa de ser mais um bom elemento para a história de Arouca e do seu Convento. Donde se salienta, para além doutra luz que se faz em relação aos sobrenomes Mello e Távora por estas nossas bandas, aquele facto de um só Senhor, o quinto, ter dado seis das suas filhas à magna casa religiosa de Arouca.

Bibliografia - A Casa da Trofa

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

ESTÓRIAS DA HISTÓRIA DE AROUCA - IV

Não há fartura que sempre dure...
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Na primeira metade do século XX, por alturas da Segunda Grande Guerra, viveram-se em Arouca anos de intenso trabalho para aqueles que nas minas do volfrâmio encontraram o sustento, mas, também, anos de grande fartura para aqueles que do “ouro negro” se souberam aproveitar.
Rio de Frades, Regoufe e Alvarenga, foram nos anos da grande e humana catástrofe mundial, locais de aproveitamento e riqueza pessoal. Aí se encontravam a jazidas de alimento para a guerra, mas, também, para centenas de pessoas que de Arouca e concelhos vizinhos para aí se deslocaram à procura do pão de cada dia, e, já agora, se fosse possível um pouco mais que isso…
Todas as pequenas profissões foram deitadas ao abandono e, de uma maneira geral, toda a gente subiu serra acima à procura do cobiçado minério.
Mais rentável e proveitoso que a exploração e venda às Companhias, viria a revelar-se o contrabando por um lado, e as sociedades particulares por outro. Contanto, eram mais os desonestos que os honestos, pelo que, muitos foram os “comidos” com «potreia» e «fritangada» em vez do almejado volfrâmio.
Apesar disso, havia muita gente séria. Mas, era uma atitude bastante ingrata e pouco rentável. E, depois, “roubar” a quem tantas vidas estava a tirar por essa Europa fora, revelava-se o menor dos males.
Na altura não havia GNR em Arouca e, por isso, apesar de haverem funções policiais delegadas nos administradores do concelho, o contrabando tornava-se mais fácil.
Por outro lado, as celas improvisadas numa das dependências do Convento não chegavam para as encomendas. E, em pouco tempo, de nada valia: já se sabia que era apenas para amedrontar.
Assim, dadas as circunstâncias, muita fortuna fácil se conseguiu e, muitas das grandes propriedades, que hoje vemos no vale, se empararam e engrandeceram à custa do volfrâmio que ingleses e alemães buscavam por estas bandas.
Nessa altura, o dinheiro em Arouca chegava para tudo. Não havia família que não beneficiasse dos bons ventos, nem pessoa que andasse de bolsos vazios. Pelo que, para alguns, acender um cigarro com uma nota de cem escudos ou, mesmo, fumar uma ou outra feita em quatro, assumiam-se como pequenas extravagâncias. Alugar um TAXI e ir ao Porto “num instante” tomar café, ou levar duas sacas de fatias de Pão-de-ló e ficar por lá até ao amanhecer, em doce farra com o “mulherio” tornou-se um irremediável hábito d’alguns que por tanto e de forma tão fácil ganhar, pouco se importavam de por forma fácil tudo gastar.
Na cidade do Porto, já não havia comerciante que não tirasse a pinta a um qualquer endinheirado do volfrâmio. Também esses se safavam. Já sabiam que aqueles só procuravam o mais caro e, depressa o mais barato passava a mais caro para lhes vender. Quantos analfabetos ostentavam canetas caras nos bolsos da camisa…
No entanto, com o fim da Guerra abrandou a “febre” e, em pouco tempo a fartura havia de dar em miséria para aqueles que nenhuma contenção tiveram. Contudo, como diz o ditado: em terra de cegos, quem tem olho é rei, safaram-se os senhores que criaram as pequenas Sociedades.

Baseado nas entrevistas, in “O Volfrâmio de Arouca (No contexto da Segunda Guerra Mundial 1939-1945)” de António Vilar. Arouca 1998. pág.213 ss.
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Próxima: "Bernardo, o fugitivo da Casa do Outeiro"

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

Sabias que...

já temos mais um arouquense na blogosfera?
É o João Ferreira, que se propõe enumerar uma série de curiosidades e partilhar algumas brincadeiras...
Seja bem vindo!

Presidente da Câmara online

Numa iniciativa, porventura, inédita, o presidente da Câmara Municipal de Arouca esteve ontem online, das 22:00h às 24:00h. Ou melhor: depois, ainda por lá permaneceu a procurar responder a todas as questões que os participantes lhe colocaram.
Independentemente de nele termos votado ou não, de vestirmos a sua camisola ou outra qualquer, o certo é que não podemos deixar de reconhecer a sua extraordinária disponibilidade para dar conta dos projectos e ambições da equipa por si liderada para Arouca.
Quanto à concretização, logo se verá!
a minha participação (1.questões/respostas; 2.questões/respostas)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

ESTES DIAS


«Estamos banhados em dias belíssimos, claros, frios, luminosos. Não há detalhe que não se destaque, e uma espécie de prematura primavera percorre as árvores, as grandes percursoras. Bem sei que há muito ruído, muita fúria, muito sturm und drang, uma enorme nuvem de palavras por todo o lado.
Já olharam lá para fora, lá para cima, lá para o lado, onde tudo é recorrente, menos o tempo que nos faz a nós? Já olharam para a luz destes dias, fora do tumulto dos noticiários, da zanga e do azedume dos blogues, fora da escravidão dos ecrãs? Vale a pena. Aproveitem, não vai durar muito. Cada vez se percebe mais que, também nós, estamos de novo em guerra. Nas trincheiras da Flandres era assim, nas margens do Bug, a caminho de Treblinka, eram belos os dias.»
por JPP, no Abrupto

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Sobre o anonimato na imprensa/blogosfera

«Ha outros casos em que o escriptor, apezar de inteiramente livre para assignar ou para não assignar, não assigna. Isto então importa immediatamente a condemnação da competencia moral do quem assim procede. Se se entende que é tal a inutilidade da coisa escripta, que da publicação d'ella não virá consequencia nenhuma, então não se escreva. Na imprensa tudo quanto é inutil é nocivo. Supprimam, ao povo que lê durante dez minutos por dia, todas as banalidades e todas as inepcias que elle absorve n'esse tempo, e o povo começará a instruir-se nos seus dez minutos de leitura. Tudo o que a educação do povo não recebe do jornal rouba-o o jornal á educação do povo. Se o escripto lançado ao publico envolve uma responsabilidade, é preciso que a tome exactamente aquelle que lançou esse escripto; se elle encerra apenas uma idéa, o publico a quem ella se offerece tem direito de saber quem é aquelle que lh'a envia. Eu exijo o nome do que manipula as drogas que sou chamado a engulir, porque a verdade é esta: que, por melhor que me pareça uma limonada de citrato de magnezia ou uma fatia de galantine, suspeito de uma e da outra se me disserem que a galantine foi feita pelo sr. Jara, boticario, e a magnezia pelo sr, Colombe, salchicheiro.»
por Ramalho Ortigão, in "As Farpas" - Fevereiro de 1873
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Sobre o anonimato na blogosfera, mais própriamente sobre os comentários anónimos nos blog's dos outros, vale a pena ler a "Ode ao anónimo!" no blog do Paulo Teixeira. Um texto, escrito em consequência dos desprezíveis comentários, que um anónimo que indicia ser seu amigo, tem feito aos seus post's.
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Para polémicas maiores, também de cara tapada, começar por aqui!

domingo, 5 de fevereiro de 2006

Como vi esta publicidade...

Passei de carro e ficou-me a sensação de ter visto algo que já me era familiar... Terá sido a cerveja?
No dia seguinte fui reparando nos postos habituais de publicidade e... eis que volto a confrontar-me com o cartaz. Parei!.... Estranhei!... Lá está! Exactamente! Senti-me familiarizado! O fundo do cartaz é-me, realmente, familiar.
Então e o primeiro plano? O primeiro plano não me chamou tanto à atenção como o segundo plano.
Aí está! A história a vir ao de cima nos momentos mais importantes. Neste caso, quando a concorrência é desenfreada! Já são tantas, que nem conseguimos saber de que marca é certo nome de cerveja. Será que a alusão tem implicita a estratégia da reconquista? Bom! Se a "Sagres" utiliza o Mosteiro de Cristo em Tomar, onde se sediou a Ordem dos Templários, depois Ordem de Cristo, temos acesa contenda...
Mas, de facto, o que me chamou à atenção foi a imagem de fundo - O Mosteiro de Leça do Balio. Quantas manhãs a olhar para aquelas pedras?

Foi neste Mosteiro que se sediou a Ordem dos Hospitalários ou de Malta, como é mais conhecida, quando entrou em Portugal, ficando conhecido como a casa mãe dos Cavaleiros Hospitalários. Apesar de actualmente se encontrar quase despido de recheio, à excepção de algumas dezenas de "urnas em pedra" e da campa de Frei Estevão Vasques, vale a pena fazer-lhe uma visita. Se mais não fôr, pela arquitectura do edifício e toda a sua envolvência.

Para quem tiver mais interesse numa perspectiva mais familiar, relacionada com a vida da "nossa" Rainha Santa Mafalda, também foram muitas as suas presenças neste local, fortes as relações que manteve com esta Ordem com doações e concessões recíprocas. De resto, há uma parte da vida da Beata Mafalda, que os locais tomam como sua ou em suas terras - a fase em que regressou de Espanha, após o fracasso do enlace matrimonial - onde se terá instalado nas imediações e sob a protecção do Mosteiro de Leça do Balio. Há ainda algumas teses que sustentam que Dona Mafalda estaria a regressar daqui quando "deu o seu derradeiro suspiro" perto da Casa de Freiras de Rio Tinto.
Para quem não gostar de história, na contiguidade há um parque agradável em parte daquelas que foram as propriedades do Mosteiro.
Ah! Para quem não conhece, esta "animação", para além de ter invertido o Mosteiro, está muito à frente de corresponder ao cenário real e à sua pacatez. Não existem aquelas edificações ao seu redor. Mas, enfim, a isso o obriga a "estratégia da reconquista". Qual Cavalo de Tróia cidade adentro...
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Porra! Isto é como as cerejas: atrás duma vêm as outras... Coitado do leitor do "meu rumo"! Que seca, dirá ele! Até a propósito de um simples cartaz publicitário...

sábado, 4 de fevereiro de 2006

"Nos blogues perto de si"

«As coisas estão cada vez mais interessantes nos blogues. Gente que provavelmente escarnecia há um ano essa actividade bizarra e adolescente de ter diários na rede cede à tentação de ter um meio onde pode dizer o que quiser, quando quiser e ser lido por milhares. Maria Velho da Costa e Vasco Pulido Valente chegaram aos blogues e vão-se defrontar com a peculiar cultura do meio. Espero que tenham a pele dura, porque vão precisar, mas a sua chegada é de saudar.»
in revista "Sábado"

Nossa Senhora da Silva

Pouca gente sabe da existência de Nossa Senhora da Silva. Em Arouca muito menos. Mas, ninguém é obrigado a saber. Tanto mais, quando, tal como Dela própria, a maioria nem sequer saberá onde se situa a "ermida" de que é orago.
Eu próprio, na qualidade de interessado, ainda sei pouco. Contudo, amanhã de manha estarei na quase desconhecida ermida, que apenas conheço pelo exterior, dada a audiência que me foi concedida.
Mas, tratemos de saber um pouco mais sobre Nossa Senhora da Silva e qual o interesse que suscita a necessidade d'Ela melhor conhecer.
Nas palavras simples e resumidas do autorizado historiador da cidade do Porto, Germano da Silva, «Foi o padre Augusto de Vasconcelos, na sua “Descriptione Lusitaniae”, e o bispo D. Rodrigo da Cunha, no seu “Catálogo dos Bispos do Porto”, que registaram a lenda da Senhora da Silva. Diz antiga tradição que andando-se, no século XII, em tempo de D. Mafalda, mulher de D. Afonso Henriques, a abrir os alicerces para a construção da Catedral do Porto, foi encontrada, entre uns silvados, uma imagem de pedra à qual foi dado o nome de Senhora da Silva. Foi tão grande a devoção que aquela rainha devotou à imagem que, quando morreu, D. Mafalda, conta Rodrigo da Cunha, deixou-lhe “todos os vestidos e louçaínhas que em seu guarda roupa se achassem e de que, ainda hoje (1623 é a data da edição do Catalogo) se conservam algumas no tesouro e mostram quanto menor era a vaidade daqueles que destes tempos, e de quão pouco se contentavam as rainhas portuguesas…”. Na Catedral existe o altar de Nossa Senhora da Silva representada por uma grande imagem de pedra mas ninguém sabe se é a da tradição.»
Porém, um pouco mais abaixo, na Rua dos Caldeireiros existe uma pequena "capela" (foto) de que Nossa Senhora da Silva é padroeira.
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Conheçendo já um pouco sobre Nossa Senhora da Silva, cabe, agora, dizer da necessidade d'Ela saber mais.
Para quem conheçe algumas das versões mais aceitáveis relativas à morte da Rainha Santa Mafalda e o alegado e curioso transporte numa mula até junto do altar de S. Pedro no Convento de Arouca, conforme a lenda, porventura já terá tomado conhecimento de que a Beata Mafalda, alegadamente, terá padecido nos arredores de Rio Tinto quando regressava duma das suas muitas romagens à Nossa Senhora da Silva. Devo dizer que não perfilho da tese da lenda.

Como fica bom de ver, questões interessantes se colocam: – Andará, tal como as versões da fundação das Albergarias na Serra de Fuste e em Rossas, a tradição da devoção, por Nossa Senhora da Silva, de Dona Mafalda, filha de Dom Sancho I, confundida com a de sua avó paterna a Rainha Dona Mafalda, mulher de Dom Afonso Henriques? Ou será que Dona Mafalda, monja em Arouca, seguiu a devoção a Nossa Senhora da Silva, iniciada pela mulher de Dom Afonso Henriques, de seu nome Dona Mafalda?
Pois bem! A certeza das datas de nascimento e falecimento, o local onde o padecimento terá ocorrido e em que circunstâncias, assim como todas estas questões que aparentemente se confundem, tem sido um dos temas trabalhados nos meus periodos de ócio.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

Das Ordens Religiosas e Militares

Contráriamente ao que possa parecer, a Ordem dos Hospitalários, de São João de Jerusalém ou, como entre nós é mais conhecida, Ordem de Malta, não se encontra totalmente trabalhada, sendo pouco o que se sabe sobre esta Soberana Ordem Religiosa e Militar.
Daí que, para se conhecer um pouco mais sobre esta, seja necessário estudar a Ordem dos Templários ou dos Cavaleiros do Templo que, pese embora tenha aparecido depois daquela, é "extinta" muito antes da Ordem dos Hospitalários. Tanto uma como a outra surgem em Jerusalém, tendo por fim defender os lugares sagrados e acudir aos peregrinos que se deslocavam à Terra Santa.
Contudo, em Portugal, e por obra de D. Dinis, o corpo da "extinta" Ordem dos Templários vai manter-se sob a denominação de Ordem de Cristo, continuando a defender o reino da presença dos Mouros.
Paralelamente, a Ordem dos Hospitalários, que originalmente se dedicava a tratar peregrinos e doentes, entretanto também convertida em Ordem Religiosa e Militar, permanece em Portugal, sendo mais conhecida pela denominação trazida da ilha onde passou a estar sediada - Ordem de Malta - com os mesmos intentos daquela e, também, do povoamento das terras que iam sendo reconquistas. Por cá, sediou-se em Leça do Balio e depois no Crato. E, como é sabido, a freguesia de Rossas foi uma das suas Comendas. Daí o trabalho que continua em "cima da mesa".
Contudo, já o suficiente para demonstrar o relevante papel que a freguesia de Rossas teve para a história de Arouca.
De resto, a concessão de Rossas aos Hospitalários, dá-se no contexto da conquista de Portugal aos mouros. Bastam-nos os reinados de D. Afonso Henriques, o “Conquistador” (1143 – 1185) e de D. Sancho I, o “Povoador” (1185 – 1211), para presumir a estratégica concessão. O principal objectivo do primeiro Rei de Portugal era aumentar o território conquistando terras aos Mouros. «Para fixação das populações nas terras libertadas, favoreceu as ordens militares (Santiago de Espada, Hospitalários e Templários)…».
D. Sancho I continuou a luta contra os Mouros e foi cognominado de o “Povoador” por se ter ocupado do povoamento do território. Para garantir a defesa das terras conquistadas D. Sancho I mandou contruir castelos e fundou povoações junto das fronteiras. Doou terras às ordens religiosas e militares e mandou vir colonos estrangeiros a quem entregou terras com a obrigação de as cultivarem e defenderem. «O seu esforço para atrair populações às zonas recém conquistadas está patente na atribuição de cartas de foral a numerosos concelhos… Fez importantes doações a ordens militares (Hospitalários, Templários, Calatrava e Santiago de Espada), funcionando estas e seus castelos como defesa contra as incursões dos inimigos e simultaneamente como protecção às populações que se iam fixando ao seu redor…»
Pronto! O resto fica para quando se der à estampa.
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Nota - Naquele livro, de Barbara Frale, especialista no assunto e membro do Arquivo Secreto do Vaticano, apenas se fala da origem e processo de extinção da Ordem dos Templários. Sendo certo que, aqui e ali, fai fazendo uma ou outra referência à Ordem dos Hospitalários.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

Quem assim fala, e não são poucos, também tem que se lhe diga...

«As pessoas que escrevem nos blogues, como muitas das que escrevem nos jornais, como as que falam na televisão, dão aquilo que elas julgam que serão opiniões. Políticos falhados, jornalistas frustrados e tanta outra gente completamente iletrada, que não conhece os assuntos, e podiam dizer aquilo, ou o contrário, que era igual ao litro.»
Vasco Pulido Valente na revista Notícias Magazine, em Janeiro de 2004
Porquê? Porque se a coisa aqui não era tão explicita, O Espectro vem dar a resposta dois anos depois!
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Ah! Em relação aos fóruns sucede a mesma coisa. Lá diz o ditado: Não cuspas para o ar que te cai em cima. Não sendo pior aquele que diz: apanha-se mais depressa um "distraído" que um cocho... Ou: apanham-se mais moscas com mel do que com fel.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

Recuperar e divulgar o património megalítico

Recentemente a autarquia de Sever do Vouga adquiriu os terrenos da Anta da Cerqueira por dois mil euros, de forma a isolar a área. Um processo que pretende repetir em relação a outros espaços.
Preservar o vasto património megalítico do concelho é o objectivo do "Museu do Passado", uma candidatura ao Programa Leader +, que se encontra em fase de execução. O projecto, que visa a recuperação dos espaços naturais com expressão megalítica, encontra-se na fase de ecomusealização da paisagem, uma nova vertente cultural que transforma áreas de interesse histórico e cultural em museus ao ar livre.

Como é sabido, em Arouca, «os monumentos funerários estendem-se por diversas áreas do concelho. Uns foram espoliados por caçadores de tesouros, sem respeito pela História nem pelas regras científicas no trato dos achados arqueológicos, primeiro passo no desprezo para com a identidade e a cultura; outros foram destruídos pela ignorância»; outros porém, dos muitos que restam, mereceram estudo científico e estão hoje trabalhados, inventariados e publicados em livro e na chamada Carta Arqueológica.
No entanto, como se sabe, e quem conhece alguns destes monumentos, facilmente se apercebe, após serem trabalhados e deles ter sido retirado o espólio possível, foram deixados completamente ao abandono… Pelo que, estava aqui uma boa oportunidade a ser aproveitada, nomeadamente, por esta Câmara que já deu provas de estar sensível a estas questões, e nelas vê potencial para afirmar Arouca.
Na oportunidade, lembrar ainda que daquele património inestimável pouco se sabe e, tão pouco, onde e como pára. Pelo que, um espaço para que «tenha uma exposição condigna, a fim de permitir o estudo de uns e a sensibilização dos restantes», há muito que se justifica.

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

"Não acredito na auto-regeneração dos partidos"

Apesar de já o dizer e defender há cerca de três anos (e disso estar convencido há mais), não fui eu quem o disse. Foi a "voz maior" de Manuel Alegre, homem que deles ainda faz parte, referindo-se aos partidos que eu digo "saídos de Abril".
Quase em simultâneo, Pedro Passos Coelho, Vice-presidente do PSD, "batia com a porta", descrente nessa mesma possibilidade de auto-regeneração. Afinal, deve ter ficado a pensar naquilo que eu lhe disse há cerca de três anos na Universidade Lusíada!
«Acreditemos que uma NovaDemocracia é possível e que vale a pena lutar por Portugal, enquanto é tempo!»

"Arouca quer usar quintas para atrair desempregados"

Segundo o jornal "Público", «a Câmara de Arouca quer recuperar quintas abandonadas para proporcionar a auto-sustentação a quem está sem trabalho.»
Ora aí está mais uma ideia com a qual concordo e até entendo ser o mote para viabilizar e assegurar a manutenção de muitos dos investimentos que essas aldeias necessitam para servir o desiderato do tão ambicionado Turismo. Verdadeiro motor de desenvolvimento para Arouca. Matam-se dois coelhos de uma cajadada só! Soluciona-se o flagelo do desemprego e recupera-se o que de melhor temos para oferecer ao Turismo.
Para isso, «A Câmara de Arouca pretende recuperar as casas das quintas abandonadas das aldeias tradicionais do município, para que sirvam de morada a desempregados que queiram dedicar-se à agricultura biológica, ao cultivo de produtos sem recurso a químicos.»
“O objectivo é encontrar no espaço rural uma forma de criar a sua própria auto-sustentação”, explica o presidente da Câmara de Arouca, Artur Neves. Nesse sentido, acrescenta, “é cedido um espaço a quem está na cidade e não consegue arranjar ocupação, que não tenha formas de viver”. “Porque há-de estar o Estado a subsidiar esta gente?”, questiona.
Pois, mas aqui, também eu questiono porque terá de ser Arouca a suportar tal factura? Antes de ir tão longe, porventura com implicações irreversíveis, trate-se de apurar se não há em Arouca gente nessa situação e até "casais novos" com dificuldades, que necessitem de um impulso e incentivo deste género. De certeza que há! É preciso ter cuidado com aquela ideia. Pode levar a implicações extremamente graves para Arouca. Antes de mais, é preciso juntar o útil ao agradável. E, neste caso, juntar o útil ao agradável, é juntar as raízes e sensibilidade das pessoas da terra às potencialidades do seu torrão natal.
Mude-se lá o título e diga-se, antes de mais, "Arouca quer usar quintas para solucionar a situação dos seus desempregados". Primeiro, devemos tratar dos "nossos filhos"; depois, então, porventura, dos "filhos dos outros"!
Cuidado Senhor Presidente com as ideias que lhe andam a "meter na cabeça" lá para os lados da "GAMP". Que os logros da entrada na Grande Área Metropolitana do Porto não sejam os de solucionar os flagelos que pelas cidades se vagueiam!!!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

Moimento de Santo António vai ser trasladado

Segundo o jornal "Defesa de Arouca" da última semana, o Moimento, ou mais comumente dito Memorial de Santo António vai ser mudado do local onde se encontra actualmente e reimplantado naquele que terá sido o local da sua edificação original.
Começando pelo que devia ser o fim, devo dizer que apoio inteiramente a iniciativa. E, se é certo que nos devemos opor a que edificações antigas sejam mudadas ou adulteradas (e, principalmente, quando classificadas como monumentos nacionais), para que se proceda à abertura duma estrada ou uma qualquer outra construção, quando, como neste caso, o intento é conferir a dignidade que o monumento requer, deve merecer o nosso apoio. Claro está, desde que feita por quem nisso seja especializado e se cumpram todos os procedimentos que não levem à adulteração do monumento em causa.
Depois, acresce o facto do local onde se encontra actualmente não ser o local onde originalmente terá sido edificado. Mudança que se terá ficado a dever, justamente, à abertura da estrada nacional. No local actual, encontra-se mesmo à margem da estrada, onde hoje, manifestamente, é impossivel mantê-lo num estado digno.
Neste sentido, a intenção que o presidente da Junta actual traz já do mandato anterior merece o meu apoio. De resto, estou convencido que, com esta iniciativa, será dado mais um passo importante para a valorização do nosso património.
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Como é sabido, o também chamado "Arco da Rainha Santa" por, segundo a lenda, estar ligado ao trajecto fúnebre da padroeira Rainha Santa Mafalda para Arouca, é um arco funerário medieval, em granito, sendo um dos seis monumentos deste género existentes em todo o País. É monumento nacional desde 1910.
Sobre este esplêndido monumento, o Doutor Filipe Simões escreveu nos seus Escritos Diversos (pág.329), uma possível explicação para aquela edificação a escassas centenas de metros do Convento de Arouca e, que o Dr. Simões Júnior transcreveu nas suas notas e, que pela importância e pertinência para o tema que estamos a tratar passo a transcrever:
««Antes de entrar na vila, junto de uma igreja que julgo ser de S. Pedro (foi sempre de Santo António), conserva-se um arco de granito extremamente curioso. Chamam-lhe MOIMENTO, e anda em tradição que teria sido erguido, bem como outros dois que se encontram na estrada de Rio Tinto e que não tive ocasião de observar, para comemorar o transito do cadáver da Rainha Dona Mafalda, daquela povoação, onde falecera, para o Mosteiro de Arouca, onde jaz sepultada. O cadáver fora milagrosamente transportado por uma mula sem guia.
A tradição é contestável, porque Ruy de Pina e Fr. Bernardo de Brito, afirmam que a Rainha falecera em Arouca. Um antigo e extenso epitáfio, que o segundo achara ainda inteiro, e Fr. António Brandão em grande parte, não refere tão importante facto, como seria o transito de Rio Tinto para Arouca. Enfim tudo leva a crêr que sobre a existência dos três menumentos se arquitectaria a lenda vasada nos moldes de outra muito conhecida que se refere aos cinco Mártires de Marrocos.
Seja como for, tem este monumento pela sua forma e dimensões a maior analogia com o de Odivelas, que todos supõem levantado para o transito de um cadáver real, querendo uns que fosse, conforme a tradição, o de el-rei D. Diniz, outros o de el-rei D. João I. Todavia o estilo difere muito, sendo ogival no monumento de Odivelas e românico no de Arouca.
Tem este a forma de um arco de volta redonda, no meio do qual foi horizontalmente atravessada uma pedra abaúlada como a campa de um tumulo. Esta pedra estriba-se de cada lado em duas pequenas colunas com capiteis. As faces do arco, os capiteis e colunelos são muito ornamentados, num estilo que se atribuiria melhor ao século XII que ao imediato. O exame dos outros dois monumentos, se por acaso existem de pé, daria provavelmente indicações mais importantes, até porque o de Arouca foi remexido e restaurado. Infelizmente não me foi possível seguir a estrada de Rio Tinto»».

sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

Algo me diz que amanhã vamos ter este cenário na Serra da Freita.

"Não somos donos das instituições e, mesmo quando criadores, devemos saber separar-nos da criatura"

A ideia é mais ou menos esta e retive-a da entrevista dada por Miguel Cadilhe à TSF. Parecendo que não, a frase e a ideia nela contida, tem algo haver com aquilo que defendo em relação a muitas instituições e à generalidade das associações. De resto, coisa que se nota ao desenrolar este pequeno "bloco de notas".A ideia requeria mais desenvolvimentos mas, sob pena de gerar más interpretações em pessoas que sem se esclarecer na fonte tiram ilações descabidas e precipitadas, e, também assim, ser fastidioso nestes meus considerandos e a este respeito, registe-se apenas a frase e tome-se nota da ideia nela contida.