«O grande banquete da pátria está a ser servido aos senhores feudais com lugar sentado.»
CFA, in Revista
essencialmente sobre coisas minhas e da minha terra.
Dizia Eça de Queirós, em 1871: "Estamos perdidos há muito tempo... O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada. ...Os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte, o país está perdido! Algum opositor do actual governo? Não! "
Fiquei contente com os resultados das eleições presidenciais que, de resto, corresponderam às minhas expectativas. Desejo um mandato mais activo, exigente e coerente. Desejo, a partir de agora, um presidente e uma oposição mais exigente em relação ao Governo, que desejo cumpra o mandato. Nada melhor que um presidente reforçado e o maior partido da oposição credível para exigir do actual Governo faça o que deve ser feito!
Graças a uma brecha na Lei n.º 46/2005, de 29 de Agosto, deixada e consentida por quem deles estava refém, e que remeteu para debate posterior, sine die, a limitação de mandatos do primeiro-ministro e dos presidentes dos governos regionais, a possibilidade que permite agora, e mais uma vez, a Alberto João Jardim candidatar-se a um novo mandato, torna aquele diploma injusto para aqueles que acabaram por ficar abrangidos (presidentes de Câmara e de Junta), e inadmissível se tivermos em conta que o próprio Presidente da República não se pode recandidatar a um terceiro mandato consecutivo.
Os juízes de Estrasburgo proibiram a exposição de crucifixos nas escolas. Na Turquia proibiriam a meia-lua e em Israel a estrela de David. Há já quem peça a supressão do Natal e, segundo a mesma lógica, do Yom Kippur e do Ramadão. Tudo em nome da laicidade do Estado. O que se passa é que, no mundo, o Estado não significa apenas Estado central. Também são "Estado" as regiões, os concelhos, as comunidades autónomas, as associações religiosas e culturais em que são delegadas funções públicas de acordo com o princípio da subsidiariedade.